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Banco Mundial libera R$ 1 bi em ajuda para Colômbia após devastação de terremoto

Forte sismo derrubou 10.000 construções, matou mais de 280 e deixou milhares de feridos e desaparecidos. Recém-empossado presidente Espriella é alvo de críticas

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 14 ago 2026, 10h48 | Atualizado em 14 ago 2026, 10h48
Banco Mundial libera R$ 1 bi em ajuda para Colômbia após devastação de terremoto Priorizar nos meus resultados Google

O Banco Mundial anunciou nesta sexta-feira, 14, a liberação de US$ 200 milhões (mais de R$ 1 bilhão) em recursos emergenciais para a resposta ao terremoto na Colômbia, que deixou mais de 280 mortos nesta semana.

Além da assistência financeira, o Banco Mundial informou em comunicado que iniciou uma “Avaliação Global Rápida de Danos por Terremotos” (GRADE, na sigla em inglês) para fornecer ao governo uma estimativa preliminar das perdas econômicas, auxiliando na priorização das ações de assistência e reconstrução.

De acordo com o último balanço oficial, ao menos 281 vidas foram ceifadas pelo tremor de magnitude 7,4 na segunda-feira 10, o mais forte a ser registrado por aquelas paragens neste século. Além disso, há mais de 3.900 feridos e ao meno 379 pessoas seguem desaparecidas sob montanhas de escombros, chapas metálicas e fios pendurados. O sismo também destruiu mais de 10 mil moradias, deixando famílias inteiras desabrigadas.

Buscas continuam

Autoridades colombianas intensificam as operações de busca nesta sexta. Máquinas pesadas começaram a remover escombros em locais onde já se descarta a possibilidade de haver sobreviventes, enquanto voluntários e socorristas experientes trabalham até mesmo com as próprias mãos nas escavações. No entanto, segundo especialistas, as chances de encontrar gente com vida são cada vez menores, após a janela crítica de 72 horas após a tragédia. Nas áreas mais afetadas, já é possível sentir o cheiro de putrefação.

“A probabilidade de encontrar sobreviventes está se esgotando”, reconheceu David Tamayo, diretor da Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres (UNGRD), “mas o lema é não deixar de buscar, não descansar até que possamos informar que encontramos estas pessoas, tomara vivas, ou recuperar seus corpos se estão nos escombros”, completou ele numa mensagem em vídeo publicada na noite de quinta-feira.

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Enquanto isso, os tremores secundários e os danos estruturais complicam os trabalhos de resgate.

A vida em ruínas

Em Cali, uma das cidades onde mais edifícios caíram, parques e ruas se transformaram em acampamentos improvisados. María del Carmen Rodríguez, de 72 anos, perdeu o apartamento pelo qual economizou durante toda a vida, e agora passa em uma quadra de futebol as noites quentes ao lado do marido, de 76 anos.

“A gente se pergunta a que tipo de ajuda temos direito, se vão nos realocar para outro lugar, porque isso vai longe”, contou ela à agência de notícias AFP.

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O terremoto também abalou cemitérios. Em um povoado próximo a Cali, os mortos saíram de seus túmulos.

A região cafeeira do país é outra das áreas mais atingidas. Na cidade de Pereira, Javier Alzate recuperava os poucos pertences que haviam sido salvos de sua casa, com a ajuda de um grupo de pessoas. “Não há mais alternativa, é preciso tirá-las de lá porque, se chover, tudo estará perdido”, disse à AFP o psicólogo de 79 anos.

A solidariedade amenizou as árduas jornadas de busca e ajudou a reduzir a escassez. Milhares de pessoas chegam aos bairros afetados com água, comida e medicamentos. Também são distribuídos abraços, como apoio emocional em meio à angústia.

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“Estamos passando por um trauma coletivo e acho que a melhor maneira que eu também poderia ajudar era, bem, oferecendo a energia que tenho e a vitalidade que me resta”, disse Andrés Solomón, um músico de Cali, de 46 anos, com uma faixa que dizia: “Abraços aqui”.

Críticas ao governo

O presidente Abelardo de la Espriella, que assumiu três dias antes do terremoto, decretou “emergência econômica”, uma medida que lhe permite criar impostos e modificar o orçamento. Ele também anunciou a criação de um fundo com ajuda internacional para atender as vítimas e convocou as empresas privadas a se somarem aos esforços.

O terremoto teve epicentro perto de San José del Palmar, em Chocó, uma das regiões mais pobres do país. Ali, a fase de busca e resgate já terminou, mas são urgentes as ações de ajuda às pessoas afetadas. As autoridades apelaram que as guerrilhas que aterrorizam a região permitam a entrada de alimentos, medicamentos e equipes do governo.

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Em relação ao atendimento à emergência, o presidente de extrema direita foi questionado por estreitar relações com Israel em plena situação de emergência e por uma suposta recusa em receber ajuda humanitária de governos que se afastam de sua linha política. A Colômbia aceitou apenas socorristas enviados pelos governos de mesmo matiz ideológico — Estados Unidos, El Salvador, Equador e Israel –, mas o chanceler Omar Bula afirmou que o recebimento de ajuda não teve “nenhuma consideração política”.

A presidente do México, a esquerdista Claudia Sheinbaum, afirmou que a Colômbia vetou o envio de socorristas militares mexicanos por falta de uma certificação.

“Eles são certificados, mas agora estão exigindo outra certificação”, disse ela.

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