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Banco Mundial estima em quase R$ 100 bilhões os danos dos terremotos na Venezuela

Prejuízo equivale a um quinto do PIB venezuelano e, sem empréstimos adicionais, reconstrução pode levar pelo menos uma década

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 23 jul 2026, 16h37
Banco Mundial estima em quase R$ 100 bilhões os danos dos terremotos na Venezuela Priorizar nos meus resultados Google

Os dois terremotos que atingiram a Venezuela no mês passado podem ter causado US$ 19,6 bilhões (quase R$ 100 bilhões) em danos físicos a edifícios e infraestrutura — o equivalente a 18% do Produto Interno Bruto (PIB) do país —, segundo uma avaliação preliminar publicada pelo Banco Mundial nesta quinta-feira, 23.

Quase metade dos custos está relacionada ao colapso de edifícios residenciais, informou aum relatório da instituição financeira sediada em Washington, acrescentando que o estado de La Guaira e o Distrito Capital (que inclui o centro de Caracas) concentram cerca de metade do total dos danos.

O valor é elevado, mas está bem abaixo das estimativas das Nações Unidas, que calculam o prejuízo em cerca de US$ 37 bilhões (aproximadamente R$ 190 bilhões).

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Catástrofe inimaginável

O desastre de 24 de junho resultou em quase 5.400 mortes e 16.740 feridos, segundo dados oficiais, mas o número real, estimado na casa dos centenas de milhares, pode jamais ser conhecido. Os dois fortes abalos atingiram o centro-norte da Venezuela com um intervalo de apenas 39 segundos, derrubando prédios como castelos de cartas e abalando os já deteriorados sistemas de energia e abastecimento de água.

“Um relatório como este normalmente levaria meses para ser elaborado, mas precisávamos produzi-lo mais rapidamente, pois a agilidade na reconstrução será fundamental. O documento pode ajudar a orientar as decisões de financiamento que o governo precisa tomar e melhorar a coordenação entre os parceiros”, disse a jornalistas Susana Cordeiro Guerra, vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe.

“A Venezuela precisa de mais investimentos”

Susana Cordeiro Guerra, vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e Caribe
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A avaliação também indicou que os setores de educação e saúde foram significativamente afetados: os terremotos danificaram total ou parcialmente mais de 900 escolas em nove estados e 38 hospitais. Por outro lado, a “infraestrutura relacionada à energia sofreu impactos relativamente menores”, apontou o documento.

O duro caminho para a reconstrução

A reconstrução e recuperação econômica dependem de financiamento externo, um desafio para a Venezuela, que está desconectada de credores multilaterais há mais de duas décadas e em situação de inadimplência desde 2017. De acordo com o jornal Financial Times, que teve acesso a fontes com conhecimento do assunto, a dívida pública da nação caribenha chegou a US$ 240 bilhões (cerca de R$ 1,3 trilhão), valor que supera as estimativas do mercado, que variavam entre US$ 150 bilhões e US$ 200 bilhões.

O Banco Mundial informou estar trabalhando em conjunto com outros credores multilaterais, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), para coordenar o apoio técnico e financeiro.

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“A Venezuela precisa de mais investimentos”, afirmou Cordeiro Guerra. “O banco continuará sendo um parceiro técnico, e estamos avaliando como apoiar o governo — inclusive por meio de financiamento — para identificar formas de atrair investimentos privados de maneira eficaz.”

Segundo o relatório, Caracas precisa mobilizar US$ 9,8 bilhões (R$ 50 bilhões) em financiamento adicional para sustentar a resposta fiscal, bem como US$ 9,6 bilhões em fundos privados, para finalizar a reconstrução em até cinco anos. Na ausência desses recursos, o país não teria outra opção senão reconfigurar seu próprio orçamento, o que elevaria o prazo para pelo menos uma década.

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