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Ban Ki-moon pede que presidente sírio pare de ‘matar seu povo’

Por Da Redação 15 jan 2012, 10h40

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu neste domingo ao presidente sírio Bashar al-Assad que pare de matar seus compatriotas, no mesmo dia em que o regime de Damasco decretou uma “anistia geral” pelos “crimes” cometidos desde o início da revolta popular.

No sábado, o emir do Qatar se mostrou favorável ao envio de tropas árabes para a Síria para “pôr fim à matança”, na primeira vez que um dirigente árabe defendeu uma iniciativa como esta.

“Hoje, repito ao presidente sírio Assad: ponha fim à violência, pare de matar seus compatriotas, a repressão não leva a lugar algum”, afirmou Ban em Beirute, onde participa de uma conferência da ONU sobre democracia nos países árabes, junto com diversas personalidades árabes e internacionais.

“Quem exerce o poder usando a força se arrisca à própria perdição e acaba sendo abandonado por seu povo”, acrescentou Ban, citando o célebre filósofo árabe do século XIV, Ibn Jaldun.

“Precisamos apagar (…) a ideia perigosa de que a segurança é, de alguma maneira, mais importante do que os Direitos Humanos”, reiterou.

Submetido a uma pressão internacional cada vez maior por uma repressão, que, segundo a ONU, já deixou mais de 5.000 mortos, o presidente sírio promulgou neste domingo “uma anistia geral para os crimes cometidos durante os acontecimentos (ocorridos) entre 15 de março de 2011 e 15 de janeiro de 2012”, anunciou a agência oficial síria Sana, sem dar maiores detalhes.

As autoridades sírias não reconhecem a magnitude da revolta e acusam “grupos armados” de gerar o caos, e os países ocidentais de armar um “complô” contra a Síria.

É a terceira vez que o regime anuncia uma anistia desde o início dos protestos.

As autoridades anunciaram nas últimas semanas a libertação de milhares de pessoas “envolvidas nos acontecimentos e que não têm sangue nas mãos”.

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Essas iniciativas representam um dos quatro pontos do plano de saída da crise proposto pela Liga Árabe e aceito oficialmente pela Síria. O plano prevê também o fim da violência, a retirada do Exército das cidades e a livre circulação da imprensa e dos observadores da Liga Árabe.

Esses observadores chegaram à Síria no dia 26 de dezembro, mas a violência não cessou e mais de 400 pessoas morreram na repressão aos protestos desde a chegada da missão.

O chefe da Liga Árabe, Nabil al-Arabi, declarou no sábado à AFP que a missão dos observadores será “reexaminada” em uma reunião que será realizada em 21 de janeiro no Cairo, sem indicar se insinuava uma retirada da missão ou se se referia a reorganizá-la para torná-la mais efetiva.

A oposição síria deseja que a Liga Árabe, incapaz de proteger os civis, deixe o caso com a ONU.

O chefe da diplomacia francesa, Alain Juppé, declarou neste domingo em Mianmar que o silêncio do Conselho de Segurança da ONU na questão síria é “intolerável”. “O massacre continua, o silêncio do Conselho de Segurança também. Esta situação está ficando intolerável”, criticou.

Os Estados Unidos acusaram o Irã de fornecer armas ao regime de Damasco para reprimir os protestos.

Um navio russo que, segundo a imprensa deste país, poderia transportar até 60 toneladas de armas e equipamentos militares, chegou ao porto sírio de Tartus “entre 11 e 12 de janeiro”, afirmou no sábado à AFP o especialista marítimo Mikhail Voitenko.

Em uma entrevista ao canal Sky News, o chefe da diplomacia britânica, William Haghe, assegurou que as potências ocidentais não têm planos imediatos para uma intervenção militar na Síria.

Perguntado se é viável a instauração de uma zona de exclusão aérea, como foi feito na Líbia, Hague assegurou que “não há possibilidades sérias” de uma resolução da ONU neste aspecto e que uma medida assim só será efetiva acompanhada de outras iniciativas.

Na Síria, seis operários morreram e outros 16 ficaram feridos neste domingo na explosão de uma bomba colocada por “um grupo terrorista armado” em uma estrada para Idleb (noroeste), que explodiu na passagem do micro-ônibus no qual as vítimas viajavam, informou a agência oficial Sana.

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