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Ban Ki-moon diz que cessar-fogo na Síria é ‘frágil’

Ataques do Exército e da oposição continuam no país apesar de 'trégua'

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse nesta quinta-feira que o cessar-fogo sírio é “frágil” e que cabe ao governo de Bashar Assad “provar que suas palavras vão ser acompanhadas por ações”. A trégua entre as forças do regime e o opositor Exército Sírio Livre (ESL) começou na manhã desta quinta-feira com uma aparente estabilidade no país, que logo depois foi posta em xeque por ativistas de oposição — eles denunciaram ataques em várias partes da Síria.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março para protestar contra o regime de Bashar Assad, no poder há 11 anos.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança, que já mataram mais de 9.400 pessoas no país.
  3. • A ONU alerta que a situação humanitária é crítica e investiga denúncias de crimes contra a humanidade por parte do regime.

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O Conselho Nacional Sírio (CNS) relatou pelo menos mortes nesta quinta-feira, duas em Idleb e uma em Hama, além de “dezenas de detenções”. “Os tanques não deixaram o centro das cidades como estava previsto no plano de Annan. Estão posicionados em áreas povoadas, exatamente como há três semanas”, disse o responsável pelas relações internacionais do CNS, Bassma Kodmani.

“Os disparos cessaram em grande escala, mas não totalmente”, disse Kodmani. Segundo o ativista, há “batidas maciças” nas cidades de Aleppo, Dera e Homs, além de 20 detenções na primeira cidade citada e ao menos dez na segunda. Ele acrescentou que o número de controles militares em todo o país se multiplicou e que estes estão “fortemente armados”. “O regime volta a sua estratégia dos primeiros meses, quando não bombardeava o povoado, mas detinha pessoas e desaparecia com elas diariamente.”

Manobra – Já a TV estatal síria afirmou que uma bomba explodiu em uma estrada na cidade de Aleppo, matando um soldado e ferindo 24 pessoas, todos militares. Segundo a televisão síria, “terroristas” estão atacando o Exército para desestabilizar o país e sabotar o plano de paz do enviado especial da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan.

Segundo a agência oficial síria Sana, a bomba explodiu “na passagem de um ônibus que levava oficiais e suboficiais ao trabalho”. Um grupo terrorista teria detonado o explosivo na passagem do veículo às 8 horas (2 horas de Brasília) em uma estrada ao sul de Aleppo.

O porta-voz do rebelde Exército Livre Sírio dentro do país, o coronel Qasem Saadeddine, disse que a explosão é “uma manobra do próprio regime”, e não descartou que haja ações similares em outras cidades “para liberá-los do compromisso de cessar-fogo”. “Nós não atacamos nenhum ônibus, estamos comprometidos com o plano de Annan”, disse.

Refugiados – Por sua vez, o ministério sírio do Interior fez um pedido aos refugiados que fugiram da violência para que retornem ao país. “Pedimos aos cidadãos que foram obrigados a abandonar suas casas para regiões no interior do país, ou ainda para países vizinhos, que retornem à Síria”, afirma um comunicado do ministério, que pediu também aos sírios que “ignorem a publicidade e as informações enganosas”.

O ministério anunciou, ainda, uma anistia para todos os homens armados que “não tenham sangue nas mãos”, anunciou a TV pública. “O ministério do Interior apela aos homens armados que não têm sangue nas mãos que se apresentem à delegacia mais próxima para entregar suas armas. Eles serão liberados e não serão processados”, afirma o anúncio.

(Com agências EFE e France-Presse)