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Balanço de mortos em repressão na Síria é de ao menos 4 mil (ONU)

O número de vítimas da repressão contra os protestos na Síria é de ao menos 4 mil mortos no país que está “à beira da guerra civil”, afirmou nesta quinta-feira o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OACDH).

“Estamos contabilizando em 4 mil. Mas as informações que chegam até nós mostram que (o número) é muito maior”, disse a chefe do órgão, Navi Pillay, durante uma coletiva de imprensa em Genebra às vésperas de uma sessão especial do Conselho dos Direitos Humanos da ONU sobre a situação da Síria, à luz do recente relatório de uma comissão investigadora.

A chefe da OACDH, que participava do lançamento de uma campanha de direitos humanos nas redes sociais na ocasião do Dia Mundial dos Direitos Humanos que ocorre em 10 de dezembro, completou que se tratava de uma “cifra conservadora”.

Pillay realizará uma sessão especial do Conselho de Direitos Humanos na sexta-feira, convocada para discutir as descobertas publicadas na segunda-feira por um painel independente, presidido pelo diplomata brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, sobre a situação dos direitos humanos na Síria.

A Comissão Independente de Inquérito informou que forças sírias cometeram crimes contra a humanidade, incluindo a morte e a tortura de crianças, seguindo ordens de membros do alto escalão do regime de Bashar al-Assad.

O painel coletou evidências de 233 testemunhas e vítimas da brutal repressão dos manifestantes contrários ao regime, mas não recebeu permissão para entrar no país.

Um balanço anterior divulgado pela ONU estimou o número de mortos em 3.500.

Questionada sobre se a violência na Síria poderia assemelhar-se a um conflito armado, Navi Pillay respondeu que “é necessário estudar o relatório da comissão para avaliar a amplitude das ações das forças de oposição”.

Pillay declarou que, em reuniões com o Conselho de Segurança da ONU em agosto passado, havia evocado um risco de guerra civil na Síria “se houvesse mais e mais soldados desertores e que ameaçassem tomar as armas”.

“É difícil dizer com certeza em que ponto se tornou uma guerra civil, mas com mais e mais informações que dão conta de uma resistência armada ao governo, nos dirigimos claramente nessa direção”, esclareceu seu porta-voz, Rupert Colville, à AFP.

“Estamos à beira” da guerra civil, completou o porta-voz.

Na sexta-feira, o Conselho de Direitos Humanos deverá pronunciar-se durante a reunião extraordinária sobre um projeto de resolução apresentado pela União Europeia que prevê condenar “as graves violações sistemáticas aos direitos humanos” cometidas pelas autoridades sírias.

O projeto pede que o relatório da comissão de investigação internacional seja apresentado à Assembleia Geral da ONU e ao Conselho de Segurança.