Clique e assine a partir de 8,90/mês

Bachelet sofre dura derrota para a direita nas legislativas

O voto no chile não é obrigatório e a alta abstenção, de 65%, chamou a atenção de analistas. 'Há muita desconfiança em relação a quem ocupa cargos público'

Por Da redação - Atualizado em 30 jul 2020, 20h57 - Publicado em 24 out 2016, 08h13

A oposição de direita chilena aplicou no domingo um duro golpe na coalizão governista de Michelle Bachelet, com vitórias nas localidades mais emblemáticas do país, o que abre caminho para a recuperação do poder nas eleições gerais do próximo ano. “Este é o primeiro passo para recuperar La Moneda”, celebrou o presidente da ultraconservadora União Democrata Independente (UDI), Hernán Larraín, um dos partidos da aliança opositora Chile Vamos. A aliança venceu com 38,46% dos votos a coalizão governista, que obteve 37,09%, depois de apurados 98,01% dos votos, segundo o Serviço Eleitoral (Servel).

A abstenção superou os 65%. Em algumas localidades como Puente Alto, na área metropolitana de Santiago, apenas 21,6% dos eleitores votaram. A oposição ficou com as prefeituras de cidades importantes como Santiago, Providencia, Maipú, Ñuñoa e Puente Alto.

“Os corações sentem que tempos melhores estão vindo”, declarou o ex-presidente Sebastián Piñera, o mais provável candidato único da direita para as eleições de novembro de 2017, celebrando vitória na província de Providência, da ex-candidata presidencial Evelyn Matthei.

O empresário multimilionário, que antecedeu Bachelet no cargo, aditou sua decisão para março do ano que vem. As pesquisas o situam como a melhor opção para recuperar o poder para a direita.

Direita vence em Santiago — O advogado Felipe Alessandri foi outra surpresa do dia ao desbancar a experiente dirigente social-democrata Carolina Tohá da prefeitura de Santiago. A vitória da direita na cidade que concentra o poder político do país dá um novo impulso a Piñera (2010-2014).

Por outro lado, a derrota de Tohá representa um duríssimo golpe para o governo e, em especial, para os planos do também ex-presidenteRicardo Lagos (2000-2006), que ambiciona a indicação única da centro-esquerda.
No lado dos derrotados, também há possíveis candidatos nas primárias como a senadora Isabel Allende – filha do ex-presidente Salvador Allende – e o jornalista Alejandro Guillier, até agora favorito dos eleitores. Bachelet não pode, por lei, tentar uma reeleição consecutiva.

Alta abstenção — Cerca 14 milhões de cidadãos estavam habilitados a votar nos prefeitos e vereadores das 346 cidades do país, a sexta eleição legislativa desde a volta da democracia após a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). O dia acabou com uma abstenção que superou 65%, segundo dados parciais, como já vinha acontecendo desde a instauração do voto voluntário em 2012.

“Há muita desconfiança em relação a quem ocupa cargos públicos ou se apresentam como candidatos, e a resposta foi abster-se de votar”, comentou Ignacio Torres, um eleitor. As pesquisas prévias antecipavam uma apertada vitória do governo.

(Com agência France-Presse)

Continua após a publicidade
Publicidade