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Autoridades egípcias constroem novo muro para impedir acesso de manifestantes

Cairo, 19 dez (EFE).- As autoridades egípcias construíram nesta segunda-feira um muro na rua Sheikh Rihan, onde ficam vários edifícios governamentais, para impedir o acesso dos manifestantes que desde sexta-feira estão em conflito com as forças da ordem no centro do Cairo.

A rua Sheikh Rihan, que abriga o Ministério do Interior e de Assuntos Sociais, e a rua Qasr al-Aini, onde fica um dos acessos ao complexo do Parlamento e ao Conselho de Ministros, entre outros, foram até o momento os principais focos dos distúrbios.

Segundo constatou a reportagem da Agência Efe, neste momento o ambiente é de uma tensa calma na região, onde os choques pararam após a construção do muro de blocos de concreto de aproximadamente três metros de altura.

Essa barreira se soma à criada no domingo na rua Qasr al-Aini que impede o acesso da Praça Tahir até a área governamental. Das fendas do muro é possível observar um amplo desdobramento da Polícia militar e de efetivos da Segurança Central em torno dos edifícios do Governo.

No outro lado do muro, onde se encontram os manifestantes, grande parte das calçadas estão destruídas depois que os paralelepípedos foram arrancados e arremessados como arma durante os choques.

Nas proximidades do hospital de campanha situado na mesquita de Omar Makram, em uma das laterais da Praça Tahrir, vários feridos, alguns com escudos antidistúrbios arrancados dos agentes da ordem, vagueiam com rostos pálidos e cansados.

Uma enfermeira do hospital, Malak Turki, disse à Efe que havia quatro pessoas com lesões dentro do hospital e um morto por ferimento de bala no coração.

‘Foi morto ontem à noite durante uma intervenção dos policiais militares fora do hospital, que agrediram os médicos com cassetetes, apesar de os profissionais estarem vestidos com roupas médicas’, disse Turki.

Um dos feridos no exterior do hospital, que não quis dar seu nome, disse à Efe que estava fotografando a Polícia militar atacar os manifestantes quando foi perseguido.

‘Um policial militar me deu um golpe na cabeça’, disse o ferido de 19 anos, que tinha o cabelo ensanguentado e usava uma venda. O jovem disse com uma voz fraca que quando foi golpeado um cidadão anônimo cuidou dos seus ferimentos.

‘Pedimos a saída do Conselho Militar, a volta dos soldados aos quartéis e que o poder fique nas mãos de uma autoridade civil. Pedimos também que Hosni Mubarak e seus ajudantes sejam julgados, as famílias dos mártires sejam compensadas e sejam julgados aqueles que atentaram contra os manifestantes’, afirmou.

Além disso, o jovem solicitou a apuração de responsabilidades contra aqueles que incendiaram a Academia de Ciências, uma das maiores bibliotecas do país, anexa ao Parlamento, que foi queimada no sábado durante os enfrentamentos.

Pelo menos 11 pessoas morreram e mais de 500 ficaram feridas durante os quatro últimos dias de confronto no centro do Cairo. EFE