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Autores de atentados na Espanha preparavam ataque ainda maior

Ainda não se sabe se o motorista que jogou a van contra a multidão em Barcelona está entre os cinco mortos pela polícia em Cambrils

Por Da redação - Atualizado em 18 ago 2017, 18h01 - Publicado em 18 ago 2017, 17h02

Os supostos autores dos ataques em Barcelona e Cambrils, no nordeste da Espanha, que deixou 14 mortos e 120 feridos preparavam atentados de maior proporção, mas tiveram que abrir mão de seus planos, informou a polícia catalã nesta sexta-feira.

Ao anunciar os resultados das investigações, o delegado-chefe da polícia regional da Catalunha, Josep Lluis Trapero, afirmou que o principal suspeito, o motorista que jogou a van contra uma multidão em Barcelona, pode não estar entre os cinco supostos terroristas mortos pelas forças de segurança na madrugada desta sexta em Cambrils, a cerca de 120 km de Barcelona. Ele desmentiu sua própria declaração, de mais cedo nesta sexta, quando afirmou que o condutor provavelmente já havia sido abatido.

Segundo Trapero, o massacre, reivindicado pelo grupo Estado Islâmico (EI) poderia ter sido muito pior. Os terroristas que executaram os dois ataques pertenciam à mesma célula e estavam se preparando há algum tempo em uma casa em Alcanar, que explodiu na noite de quarta-feira. A detonação dos explosivos que estavam na residência teria sido um acidente e atrapalhou os planos dos jihadistas.

“A explosão em Alcanar evitou atentados de maior alcance do que o registrado”, acrescentou, assinalando que após o imprevisto, os terroristas tentaram atuar “de maneira rudimentar na esteira dos outros atentados em cidades europeias”.

Desta forma, atacaram primeiro na quinta-feira em Barcelona, em um horário da tarde em que a avenida La Rambla estava cheia de turistas, usando uma van branca. Horas mais tarde, passada a meia-noite local, um Audi A3 atropelou várias pessoas no passeio marítimo de Cambrils. O carro se chocou contra uma patrulha da polícia regional, que disparou contra os suspeitos.

Prisões

A polícia deteve até o momento quatro suspeitos em duas cidades na Catalunha, três marroquinos e um espanhol nascido no encrave de Melilla, com idades entre 21 e 34 anos e sem antecedentes relacionados com o terrorismo. Também identificou três dos cinco supostos terroristas abatidos, mas não revelou detalhes.

A imprensa espanhola especula que o motorista que atacou em La Rambla e que foi morto na madrugada desta sexta-feira em Cambrils possa ser Moussa Oukabir, de 17 anos. Ele é irmão de Driss Oukabir, o homem cuja foto foi divulgada pela polícia na quinta-feira como principal suspeito do atentado, mas que logo se apresentou à polícia desmentindo as acusações. Ainda não se sabe se Driss está entre os quatro detidos pela polícia.

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As autoridades catalãs também divulgaram mais cedo fotos de quatro suspeitos que ainda eram procurados, entre eles Moussa Oukabir. Os outros homens foram identificados como Mohamed Hychami, 24, Younes Abouyaaqoub, 22, e Said Aallaa, 18. Os quatro tem nacionalidade marroquina. A polícia confirmou que Moussa, Mohamed e Said estão entre os mortos do incidente de Cambrils. Younes permanece em fuga.

Em meio ao clima de consternação, em uma manifestação excepcional, o rei Felipe VI, o presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, e seu colega catalão, Carles Puigdemont, junto a milhares de cidadãos, mantiveram ao meio-dia desta sexta um minuto de silêncio em Barcelona, em homenagem às vítimas, seguido de um longo aplauso aos gritos de “no tinc por” (“não tenho medo” em catalão).

Experiência em terrorismo

A Espanha, o terceiro destino turístico mais popular do mundo, esteve até então à margem dos recentes ataques extremistas que o EI realizou em França, Bélgica, Alemanha e Reino Unido.

Em 11 de março de 2004, o país foi cenário dos piores atentados extremistas cometidos na Europa, quando várias bombas explodiram em trens na região de Madri e deixaram 191 mortos. Os ataques foram reivindicados pela Al Qaeda.

Esta experiência e a longa luta contra os atentados da organização separatista basca ETA levaram o país a reforçar o serviço de Inteligência e a adotar uma política de prisões preventivas de suspeitos de extremismo.

Catalunha, Madri e os territórios espanhóis de Ceuta e Melilla são as áreas de maior concentração de islamitas radicais no país. Mais de um terço das pessoas condenadas por atividades relacionadas com o extremismo moravam em Barcelona e 35,4% em Madri, de acordo com um relatório do centro de pesquisas Real Instituto Elcano.

(Com AFP)

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