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Autor do ataque em Liège se sentia perseguido pela polícia

No dia que matou 4 e feriu 123, Nordine Amrani deveria se apresentar à Justiça

Começam a emergir nesta quarta-feira mais detalhes sobre a vida e a personalidade de Nordine Amrani, autor do ataque de Liège que matou quatro pessoas na terça-feira e deixou 123 feridos, suicidando-se em seguida. O marroquino de 33 anos que lançou três granadas contra uma multidão na praça de Saint Lambert e atirou contra as pessoas com um fuzil kalachnikov, sentia-se perseguido pela polícia e decidiu se suicidar no dia em que deveria se apresentar à Justiça para responder a uma acusação de abuso sexual.

Amrani era um “velho conhecido da polícia” – já havia sido preso em 2008 por tráfico de armas – ele tinha 9.500 peças de armas e outras 10 completas – e pelo cultivo de 2.800 plantas de maconha. Por isso, foi condenado a 58 meses de prisão, mas estava em liberdade condicional desde outubro de 2010. Na terça-feira, ele deveria comparecer à polícia por causa da nova acusação mas, convencido de que seria preso, decidiu atacar pessoas inocentes em um movimentado ponto de ônibus da cidade.

Autoridades – “Um deliquente que passou por tudo: tribunal para menores, tribunal correcional e corte de apelações”, descreveu o promotor-geral Daniele Reynders, em entrevista coletiva. Os oficiais de Justiça e a polícia pintaram o retrato de um homem com paixão pelas armas e com um extenso passado criminoso que o fazia ter medo constante de voltar para a cadeia. Segundo Abdlehadi Amrani, um ex-advogado do assassino com quem não tinha maiores vínculos, o responsável pela tragédia era um homem que “se sentia perseguido pela polícia”.

O atirador não tinha qualquer vínculo com organizações criminosas e as autoridades descartaram que se tratasse de um atentado terrorista. Também nunca teve diagnosticados problemas psiquiátricos, o que leva a muitos questionamentos sobre o teria, de fato, motivado o massacre.

Assassino em massa – Consultado pelo jornal La Meuse, o especialista em assassinatos em massa Stéphane Bourgoin acredita que Amrani pode ter sido influenciado por ataques semelhantes que ficaram famosos, principalmente nos Estados Unidos. Bourgoin destaca características que o atirador teria em comum com outros assassinos em massa, como a paranoia, a obsessão por armas de fogo e o fato de ter deixado uma mensagem a uma ex-namorada.

Enquanto as razões do assassino são investigadas, a cidade de Liège amanheceu nesta quarta-feira em luto pela morte das vítimas do atentado, dois adolescentes de 15 e 17 anos, um bebê de 17 meses e uma mulher de 45 anos que trabalhava como empregada doméstica para a vizinha de Amrani. Anteriormente, havia se falado em cinco vítimas, contando uma senhora de 75 anos, mas ela ainda se encontra internada em estado grave.”Todo o país está de luto”, declarou o primeiro-ministro belga Elio di Eupo. O rei da Bélgica, Albert II, e a rainha Paola também compareceram na terça-feira ao local da tragédia para prestar sua homenagem.

Laurent Dubrule / Reuters

Mulher presta homenagem a vítimas do ataque no centro de Liège Mulher presta homenagem a vítimas do ataque no centro de Liège

Mulher presta homenagem a vítimas do ataque no centro de Liège (/)