Autor de ataque à embaixada dos EUA era um esquerdista, diz ministro

Ministro do Interior turco disse que primeiras pistas apontam para um militante de uma organização clandestina de esquerda. Nenhum grupo assumiu autoria

Por Da Redação - 1 fev 2013, 13h15

Um homem-bomba que atacou a embaixada dos EUA em Ancara, capital da Turquia, nesta sexta-feira era um militante de extrema esquerda, informou o ministro do Interior turco, Muammer Guler. Ele afirmou a jornalistas que o autor do ataque – que matou um segurança turco que trabalhava no prédio – pode ser um cidadão turco, membro do grupo marxista-leninista Frente Revolucionária de Libertação Popular (DHKP-C, sigla em inglês). O grupo é banido no país.

“As primeiras pistas indicam que o responsável era um militante de uma organização clandestina de esquerda”, disse o ministro. “Suas impressões digitais estão sendo analisadas.” Segundo a rede CNN, a polícia de Istambul identificou o homem como Ecevit Shanli, integrante do DHKP-C. O jornal The New York Times acrescenta que o segurança turco morto no atentado seria Mustafa Akarsu, de 47 anos.

Além da morte do segurança e do próprio homem-bomba, o atentado deixou três feridos, um deles em estado grave. Um dos feridos seria uma antiga repórter da agência turca NTV, Didem Tuncay, de 39 anos, segundo o NYT. O primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan fez um pronunciamento na TV com um apelo para que haja um esforço global no combate a “elementos terroristas”.

Turquia e Estados Unidos classificam o incidente como um ato terrorista. Mas nenhum grupo assumiu a autoria do ataque até agora, e a causa ainda não está esclarecida. Mais cedo, o governador de Ancara, Alaaddin Yuksel, confirmou que o autor da explosão era um homem-bomba. Imagens divulgadas pela imprensa turca mostram que a explosão fez um buraco na parede de um prédio que abriga um clube social de guardas. A embaixada não sofreu danos.

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DHKP-C – Hasan Selim Ozertem, especialista em segurança da Organização Internacional de Pesquisa Estratégica em Ancara, afirmou à rede CNN que o ataque pode estar relacionado com a detenção de alguns membros do DHKP-C há duas semanas. Desde o início de janeiro, foram presos 85 integrantes do grupo, fundado na década de 1970. Segundo Ozertem, a polícia turca tem observado atentamente o DHKP-C ao longo dos últimos cinco anos.

Para o especialista, é possível que o grupo esteja tentando enviar uma mensagem às autoridades da Turquia ao atacar a embaixada dos EUA, pois o Parlamento turco ficaria no mesmo prédio. Acredita-se que o DHKP-C tenha relações com países como Síria e Irã, além do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que há tempos trava uma guerra com Ancara.

O governo dos EUA alertou seus cidadãos para que não visitem as missões diplomáticas do país na Turquia até novo aviso. O último atentado em Ancara envolvendo um suicida esquerdista ocorreu em 2007. Ele matou nove pessoas e deixou 120 feridos, mas não tinha vínculos com qualquer grupo. Nos últimos anos, vários grupos lançaram ataques contra a Turquia, dos separatistas curdos a esquerdistas e militantes islâmicos.

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Estados Unidos – O atentado contra a embaixada na Turquia ocorre no mesmo dia em que a secretária de Estado Hillary Clinton está deixando o posto. Ela será substituída pelo senador John Kerry, que assume o cargo em meio à discussão sobre a estratégia de segurança das representações americanas no mundo, tema que levantou críticas contra o Departamento de Estado depois que um ataque ao consulado em Bengasi, na Líbia, deixou quatro mortos, incluindo o embaixador J. Christopher Stevens.

(Com agência France-Presse)

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