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Autor de ataque a base apresentava sintomas de paranoia

No dia seguinte à morte de treze pessoas, investigadores tentam entender o que levou Aaron Alexis a abrir fogo em prédio da Marinha americana

Por Da Redação Atualizado em 10 dez 2018, 10h51 - Publicado em 17 set 2013, 11h09

No dia seguinte ao ataque à base da Marinha americana em Washington, os motivos que levaram ex-cabo Aaron Alexis, de 34 anos, a abrir fogo no complexo, matando doze pessoas, ainda intrigam as autoridades. Nesta terça-feira, o som dos 3 000 trabalhadores do prédio deu lugar ao silêncio que marca o trabalho da equipe forense que atua no local, em busca de respostas para o ataque. “Não temos nenhuma indicação de qualquer motivo neste momento”, disse a chefe de polícia do Distrito de Columbia, Cathy Lanier. “Há poucas perguntas que podemos responder”. Oficiais da Marinha ouvidos pela agência de notícias Associated Press afirmam que Alexis, morto no tiroteio, sofria de problemas mentais. Segundo as fontes, o ex-cabo apresentava sintomas de paranoia e distúrbios de sono – além de “ouvir vozes”. Ele estava recebendo tratamento do Departamento de Veteranos dos EUA.

Ainda segundo a agência, apesar dos problemas, Alexis não foi declarado incapaz. Ele serviu na Marinha entre 2007 e 2011, e acabou dispensado após protagonizar uma série de episódios de mau comportamento, como efetuar um disparo no teto de seu apartamento, em 2010, segundo o jornal The New York Times. Em 2004, Alexis havia sido preso por atirar no pneu de um carro estacionado próximo à sua casa. Segundo o jornal The Washington Post, na ficha de Alexis na Marinha constam oito citações por problemas de conduta. Em três ocasiões ele sofreu punições administrativas – o jornal não detalhou quais foram.

Nesta terça-feira, mais uma vítima do massacre foi identificada nesta terça: Arthur Daniels, de 51 anos, um montador de móveis de que havia ido trabalhar em uma instalação na base. Além de Daniels, morreram Kenneth Bernard Proctor, de 46 anos, Frank Kohler, de 50 anos, John Roger Johnson, de 73 anos, Kathleen Gaarde, de 62 anos, Michael Arnold, de 59 anos, Sylvia Frasier, de 53, e Vishnu Pandit, de 61. O nome das outras quatro vítimas só vai ser divulgado após as famílias serem notificadas.

https://www.youtube.com/watch?v=k3OJV19EZi0

Segundo a BBC, três feridos no massacre continuam internados: um policial baleado nas pernas, uma mulher baleada na cabeça e na mão e uma mulher que sofreu ferimentos no ombro. Segundo o Washington Hospital Center, a recuperação deles deve ser breve. Outras cinco pessoas que sofreram ferimentos leves receberam alta já na segunda-feira.

Nesta terça-feira, o Washington Navy Yard, complexo da Marinha no Sul da capital americana, palco do massacre, foi reaberto apenas para o pessoal considerado essencial. Já as ruas próximas ao local foram reabertas.

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No momento do massacre, Alexis trabalhava para a empresa Hewlett-Packard como terceirizado, sendo registrado pela companhia The Experts. A empresa tinha um contrato com a Marinha para o aprimoramento da intranet (rede interna) do Washington Navy Yard.

O prédio onde ocorreu o ataque só pode ser acessado depois de uma dupla verificação de identidade, segundo uma fonte da Marinha, mas a maioria das pessoas que têm as credenciais de acesso em ordem, como os funcionários de empresas que realizam serviços, como era o caso de Alexis, dificilmente é revistada.

Não está claro se o departamento de Defesa e a HP conheciam os antecedentes criminais de Alexis.

O ataque – Os primeiros disparos foram ouvidos por volta de 8h20 (9h20 no horário de Brasília). em um dos prédios do Washington Navy Yard, um complexo administrativo da Marinha dos EUA ao sul da capital, que abriga o centro de operações navais do país e gabinetes da Justiça naval. Cerca de 3 000 pessoas trabalham no local.

Nos minutos seguintes, centenas de pessoas deixaram os prédios. Helicópteros passaram a sobrevoar o local e homens do FBI e da SWAT foram deslocados para o local.

Inicialmente, a polícia divulgou que até três pessoas poderiam estar entre os autores do ataque, mas a informação foi corrigida posteriormente, e a polícia afirma que só Alexis efetuou disparos. Amigos do suspeito ouvidos pela imprensa americana disseram estar surpresos com o ataque. “Incrível isso ter acontecido, ele era um sujeito tranquilo”, disse Michael Ritrovato à rede CNN.

Nesta terça, o secretário de defesa dos EUA, Chuck Hagel, participou de uma homenagem aos mortos no Memorial da Marinha, um local utilizado para cerimônias distante três quilômetros do local do massacre.

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