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Austrália adere ao boicote dos EUA aos Jogos de Inverno de Pequim

País se junta a Estados Unidos e Nova Zelândia e anunciou que não irá enviar funcionários do governo para a capital chinesa

Por Da Redação Atualizado em 8 dez 2021, 13h39 - Publicado em 8 dez 2021, 12h07

A Austrália anunciou nesta quarta-feira, 8, que não irá enviar funcionários aos Jogos Olímpicos de Inverno de 2022 em Pequim, aderindo ao boicote diplomático iniciado pelos Estados Unidos ao evento.

Na última segunda-feira, 6, o governo americano citou as “atrocidades” aos direitos humanos ocorridos pela China para justificar o boicote. Em resposta, autoridades chinesas alertaram que o país tomará “contramedidas resolutas”, aumentando a tensão entre as potências. 

O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, disse que a decisão aconteceu devido à constante luta da Austrália para conseguir reabrir canais diplomáticos com a China para discutir sobre eventuais violações aos direitos humanos ocorridos na região oeste de Xinjiang, além de medidas adotadas por Pequim contra as importações australianas.

“Nenhum de nossos funcionários irá aos Jogos de Inverno. Apenas os nossos atletas  estarão presentes”, disse Morrison em coletiva em Sydney. 

O boicote formal corre o risco de agravar ainda mais as relações entre os dois países, que já anda estremecida depois de decisão do governo australiano em introduzir leis de interferência estrangeira, banir a tecnologia 5G da empresa chinesa Huawei e pedir uma investigação independente sobre a origem do coronavírus. 

Além disso, a decisão em adquirir submarino nuclear por meio do pacto firmado entre Austrália, Estados Unidos e Reino Unido aumentou ainda mais as tensões com a China, seu maior parceiro comercial. 

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Pequim respondeu às movimentações do governo australiano aumentando as tarifas sobre commodities do país como vinho, carne e carvão, algo que Morisson tratou como “totalmente inaceitável”.

As Olimpíadas de Inverno terão início em fevereiro de 2022 e o Comitê Olímpico Australiano disse que a medida diplomática não terá efeito sobre os seus 40 atletas que irão competir. 

O Partido Comunista Chinês respondeu de forma agressiva dizendo que nenhum funcionário australiano havia sido convidado para os Jogos e que “ninguém se importaria se eles viessem ou não”.

“A postura política de Canberra e a exaltação de seus próprios interesses políticos não tem impacto algum no sucesso dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês. “Eles estão seguindo cegamente certos países em seus passos para confundir o certo e o errado sem um resultado final”, completou. 

Outros aliados dos Estados Unidos estão demorando a tomar iniciativas em relação ao boicote. Também nesta quarta, os governos do Reino Unido e Japão afirmaram que estudam a possibilidade de não enviar funcionários a Pequim, porém nada concreto foi definido.

Ao mesmo tempo, a Coreia do Sul disse por meio do assessor da presidência que o país não considera um boicote diplomático às Olimpíadas de Inverno. 

Até o momento, além dos Estados Unidos, apenas a Nova Zelândia disse que não enviaria representantes governamentais aos jogos, alegando a pandemia do coronavírus.

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