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Aumenta pressão contra bloqueio a Gaza

Com pelo menos nove ativistas mortos, o ataque israelense ao comboio que tentava chegar à Faixa de Gaza elevou a pressão da comunidade internacional contra o bloqueio militar imposto ao território palestino. A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou nesta terça-feira que a situação em Gaza é “insustentável e inaceitável”, e o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, exortou Israel a suspender o bloqueio. Em reação às críticas, Israel comunicou a deportação de centenas de ativistas detidos, incluindo os cerca de 20 acusados de atacar as tropas israelenses, e o Egito decidiu reabrir seu posto fronteiriço em Rafah. Ao mesmo tempo, ativistas anunciam o envio de mais um navio até a região.

Secretária de Estado do principal aliado de Israel, Hillary Clinton defendeu nesta terça-feira a iniciativa de uma investigação independente do ataque. “Apoiamos fortemente o chamado do Conselho de Segurança da ONU por uma investigação imparcial, confiável e transparente”, afirmou. “As necessidades legítimas de segurança por parte de Israel precisam ser garantidas, assim como as necessidades legítimas dos palestinos por assistência humanitária e acesso regular a material de reconstrução”, disse Clinton. O secretário da ONU, Ban Ki-moon, classificou de “trágico” o episódio e declarou que “se os israelenses tivessem levado em conta meu pedido e o da comunidade internacional de suspender o bloqueio de Gaza, este trágico incidente não teria ocorrido”, declarou Ban à AFP em Kampala, onde participa de uma Conferência sobre o Tribunal Penal Internacional.

Em resposta às críticas e ao pedido para libertação dos barcos e ativistas detidos, Israel anunciou, após reunião de seu gabinete, deportar todos os envolvidos, em até 48 horas. A medida se estende aos suspeitos de agredir soldados israelenses, que o país ameaçava reter e processar. A deportação deve começar ainda nesta terça-feira. Ao mesmo tempo, comunicou que o país manterá diálogos para aumentar o volume de bens que alcançam a Faixa de Gaza. O Egito, que também bloqueia Gaza desde a chegada do Hamas ao poder, em 2007, decidiu reabrir seu posto em Rafah, para a passagem da carga humanitária.

Nesta terça-feira, o Exército israelense admitiu erros na operação, de inteligência e equipamento. Para o chefe das Forças Armadas, tenente-general Gabi Ashkenazi, “o equipamento para dispersão que as tropas usavam “era insuficiente”. Alguns dos soldados portavam armas de paintball, não letais, mas falharam contra os ativistas, que tinham coletes salva-vidas e máscaras de gás. A uma rádio israelense, o comandante do grupo que abordou a embarcação disse que não esperava “tal resistência dos ativistas do grupo, pois se tratava de um grupo de ajuda humanitária.”

Ataque – Na segunda-feira, militares israelenses abordaram uma frota de seis navios do movimento Gaza Livre que tentava furar o bloqueio para levar ajuda ao território palestino. A ação gerou reações e condenações da comunidade internacional. O governo de Israel havia dito durante a semana que não permitiria a entrada de quaisquer embarcações em águas da costa da Faixa de Gaza. Os israelenses, que permitem a entrada de ajuda humanitária a Gaza por fronteiras terrestres controladas, disse que a frota poderia desembarcar no porto de Ashdod. O Estado judeu mantém o bloqueio à Faixa de Gaza desde que o grupo militante palestino Hamas tomou o controle do território em 2007.

(Com AFP)