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Ativistas sírios invadem embaixada do país no Cairo

Ação foi mais uma retaliação à violenta repressão imposta pelo regime Assad

Um grupo de ativistas sírios invadiu nesta sexta-feira a embaixada de seu país no Cairo em protesto contra a repressão do regime de Bashar Assad contra seu povo. Um desses jovens, que se identificou como Abu Ahmed Tartusi, afirmou à agência de notícias EFE que ele e outros 20 companheiros entraram na legação síria e rasgaram as fotos do ditador, roubando em seguida documentos dos serviços secretos sírios que contêm nomes de agentes infiltrados entre os ativistas. Acrescentou que, depois de meia hora dentro do edifício, os serviços de segurança egípcios dispararam para o alto para obrigar-lhes a abandonar a embaixada.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março para protestar contra o regime de Bashar Assad, no poder há 11 anos.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança do ditador, que já mataram mais de 5.000 pessoas no país, de acordo com a ONU, que vai investigar denúncias de crimes contra a humanidade no país.
  3. • Tentando escapar dos confrontos, milhares de sírios cruzaram a fronteira e foram buscar refúgio na vizinha Turquia.

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O ativista destacou que “não havia nenhum funcionário no edifício”, já que sexta-feira é o primeiro dia do fim de semana no Egito. A invasão aconteceu depois que centenas de manifestantes sírios e egípcios organizaram uma passeata que saiu da Praça Tahrir rumo à embaixada síria para condenar a repressão brutal do regime sírio contra os civis. Outro ativista presente na invasão, e que pediu o anonimato, disse que este incidente é “uma mensagem ao regime de Assad”, como ato de protesto contra “o massacre de Homs” no qual morreram ontem dezenas de civis, entre eles crianças e mulheres.

Os nomes dos informantes dos serviços de inteligência sírios serão transmitidos ao Exército Livre Sírio (ELS), segundo o ativista. Dezenas de cidadãos sírios que vivem no Cairo acamparam ao lado dos milhares de egípcios que se manifestam para celebrar a chamada Sexta-feira da Dignidade na Praça Tahrir, para exigir à Junta Militar egípcia que abandone o poder.

A invasão aconteceu no dia seguinte que 65 pessoas morreram pela repressão das forças leais ao regime de Assad, a maioria em Homs e Hama, e coincide com uma nova jornada de violência que até o momento terminou com 33 mortos. Mais de 5.000 pessoas morreram na Síria desde o começo da revolta de março do ano passado, segundo os últimos números da ONU, embora os opositores indiquem que as vítimas mortais superam os 6.000.

(Com agência EFE)