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Ativistas e policiais voltam a se enfrentar em Hong Kong

Usando máscaras do revolucionário Guy Fawkes, manifestantes entraram em confronto com as forças de segurança após duas semanas de relativa calma

Por Da Redação - 6 nov 2014, 05h05

As ruas de Hong Kong voltaram a ser palco de confrontos nesta quinta-feira, quando mais de uma centena de manifestantes mascarados e dezenas de policiais se enfrentaram em uma das três áreas tomadas pelos ativistas pró-democracia. Estudantes protestam há mais de um mês na cidade contra a interferência de Pequim na política local. Os confrontos desta quinta, que ocorreram no distrito de Mong Kok, são os primeiros depois de duas semanas de relativa tranquilidade na série de protestos.

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O status de Hong Kong

Ex-colônia britânica, Hong Kong passou a ser uma região administrativa especial da China em 1997, ano em que o enclave foi devolvido. Pelo acordo entre britânicos e chineses, Hong Kong goza de um elevado grau de autonomia, liberdade de expressão e econômica. Também preserva elementos do sistema judicial ocidental. Essas condições devem ser mantidas pelo menos até 2047.

Guy Fawkes – O distúrbio começou na noite de quarta, quando centenas de jovens marcharam pelas ruas usando a máscara do revolucionário inglês Guy Fawkes. Um dos líderes de um fracassado levante católico contra o governo britânico em 1605, Fawkes se tornou um símbolo de contestação após ter a sua história resgatada na graphic novel V de Vingança, lançada em 1982 e que em 2006 virou filme. Nesta quarta, 5 de novembro, protestos em todo o mundo lembraram o aniversário da “Conspiração da Pólvora”, quando Fawkes e seus comparsas planejaram explodir o Parlamento inglês com o rei Jaime I dentro. A trama foi descoberta pelas autoridades e o revolucionário se matou para escapar da execução.

O novo enfrentamento em Hong Kong teve início quando policiais tentaram conter o avanço dos manifestantes pelas ruas do centro. Testemunhas relataram que a polícia usou gás de pimenta na tentativa de dispersar a multidão. Simpatizantes de movimentos que se opõem aos protestos de rua também participaram da confusão, que terminou com vários manifestantes feridos e pelo menos três detidos.

Negociação – Os protestos em Hong Kong exigem o direito pleno de eleger o chefe do Executivo local nas eleições de 2017. Atualmente, apenas candidatos pré-aprovados por Pequim podem concorrer. Frustrados com a improdutividade das reuniões com as autoridades de Hong Kong e com a falta de autonomia do governo local para responder às demandas por democracia, os manifestantes tentam agora negociar diretamente com Pequim.

A Federação dos Estudantes de Hong Kong, um dos principais grupos envolvidos nos protestos, cogita enviar representantes para a capital chinesa na semana que vem na tentativa de dialogar com o poder central. A visita poderia coincidir com a realização da cúpula da Apec, que acontecerá em Pequim e contará com a presença dos líderes políticos da região da Ásia-Pacífico, entre eles o presidente americano Barack Obama e o russo Vladimir Putin.

(Com agência EFE)

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