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Ativista a favor dos direitos das mulheres é presa na Arábia Saudita

Apesar da recente autorização para dirigir, mulheres ainda são submetidas a regime ultraconservador no reino, que mantém outros nove ativistas presos

Por Da Redação 27 jun 2018, 16h23

Autoridades da Arábia Saudita detiveram a ativista Hatoon al-Fassi, que há anos promovia campanhas pelo fim ao veto da mulher na direção de veículos, informou a organização não-governamental saudita Alqst, com sede em Londres, nesta quarta-feira (27). O veto foi suspenso em 24 de junho, quando começou a vigorar a autorização oficial para 2.000 mulheres conduzirem carros.

No Twitter, a organização, que vigia a situação dos direitos humanos na Arábia Saudita, disse que Hatoon, professora da Universidade Rei Saud, em Riad, foi presa como parte de uma série de detenções de ativistas no reino. Mas não deu maiores detalhes.

Hatoon, que usa como foto de perfil no Twitter uma imagem sua ao volante, participou de “todas as campanhas” realizadas para a liberação do direito de dirigir das mulheres no reino, de acordo com a ativista saudita Manal al-Sharif, que também afirmou nas redes sociais que a colega tinha sido detida.

Até o momento, as autoridades do país não se pronunciaram a respeito.

  • Essas detenções se somam a outras efetuadas pelas autoridades sauditas desde a segunda quinzena de maio, em uma campanha que foi criticada pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH).

    No último dia 2, a Promotoria da Arábia Saudita admitiu as prisões e informou que oito ativistas foram soltos e outros nove continuavam detidos, sendo cinco homens e quatro mulheres, depois que confessassem ter cometido os crimes dos quais eram acusados.

    Segundo a Promotoria, os detidos disseram ter mantido contatos ou apoiado indivíduos e organizações “hostis” ao reino, assim como ter conversado com funcionários de agências governamentais para obter informação confidenciais e documentos para prejudicar os interesses sauditas.

    As mulheres da Arábia Saudita comemoraram em 24 de junho a nova lei. Apesar da flexibilização, o reino ultraconservador ainda mantém o regime de tutela que submete às mulheres aos homens da família, de forma que elas precisam de autorização de um representante do sexo masculino para trabalhar, viajar ou abrir uma conta bancária, por exemplo.

    (Com EFE)

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