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Atirador solitário deixa quatro mortos e fere dezenas de pessoas na Bélgica

Por Por Benjamin Bouly-Rames e Philippe Siuberski 13 dez 2011, 14h58

Um atirador abriu fogo e lançou granadas nesta terça-feira em uma praça repleta de crianças e de pessoas que faziam compras de Natal na cidade belga de Liège, deixando quatro mortos e 75 feridos.

Dois adolescentes, um de 15 e outro de 17 anos, e uma mulher de 75 anos morreram no ataque, afirmou a responsável da procuradoria da cidade, Daniele Reynders, durante uma coletiva de imprensa. Além disso, o autor do ataque, identificado como Nordine Amrani, de 33 anos, também morreu, acrescentou.

O centro federal de crises do país afirmou que o incidente não foi um ataque terrorista nem esteve ligado a um julgamento criminal pendente.

“Foi um atirador solitário”, afirmou Benoit Ramacker, do centro de crise, à AFP.

“É muito difícil determinar as razões do ataque, mas estamos investigando todas as possibilidades”.

A ministra do Interior da Bélgica, Joelle Milquete, interrompeu reuniões com a União Europeia e se dirigia a Liège após o ataque, assim como o novo primeiro-ministro Elio Di Rupo.

O presidente “estava comovido diante dos graves incidentes ocorridos em Liège. Seus primeiros pensamentos foram em direção às vítimas, seus familiares e pessoas próximas”, segundo um comunicado.

O ataque fez com que moradores apavorados corressem pelas ruas, e horas depois grupos de pessoas sentavam chorando nas calçadas em meio às sirenes das ambulâncias e ao som dos helicópteros que sobrevoavam o local.

O tiroteio ocorreu por volta do meio-dia local na praça Saint-Lambert, casa do tribunal de justiça e localizada perto de um mercado de Natal nesta cidade de 196 mil habitantes.

Vestido com um uniforme militar e armado com um fuzil automático leve (FAL) e granadas, Amrani disparou e lançou os três explosivos contra um ponto de ônibus, repleto de crianças, explicou Reynders.

As autoridades investigam agora se Amrani, que morava em Liège, se suicidou após o ataque. “A investigação determinará se ele se suicidou ou se morreu após detonar as granadas”, ressaltou Reynders.

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Algumas informações apontaram que se tratou de uma tentativa frustrada de resgatar um suspeito do tribunal, mas a procuradoria informou que Amrani foi convocado nesta terça-feira para comparecer perante a justiça.

Recentemente, a polícia fez uma incursão em sua casa buscando maconha, mas encontrou armas. Em 2008, ele foi condenado a quase cinco anos de prisão por posse ilegal de armas e por cultivar cannabis.

Houve muita confusão inicial em relação ao ocorrido, com informações de que havia mais de um atirador.

“Ouvimos dois ruídos ensurdecedores e então muitas explosões, as pessoas corriam para todos os lados”, uma padeira que se identificou como Patrícia afirmou à RTL-TV. “Fechamos a porta, desligamos as luzes e nos escondemos atrás do balcão com os clientes”.

O jornalista Nicolas Gilenne afirmou à AFP que havia acabado de sair do tribunal onde cobria um julgamento quando o ataque começou.

“Vi um homem acenar com o braço e lançar algo para o ponto de ônibus. Ouvi uma explosão. Ele se virou, pegou mais alguma coisa, puxou o pino. Comecei a correr. Ele estava sozinho e parecia estar controlado.

“Ele queria machucar o máximo de pessoas possível. Ouvi quatro explosões e tiros por cerca de 10 segundos”.

Informações também apontavam que dois ou três atiradores armados com granadas estavam envolvidos.

“O centro da cidade está completamente isolado. As pessoas estão se abrigando em lojas ou prédios. A polícia está posicionada”, afirmou um funcionário local contatado pela AFP que pediu para não ser identificado.

“Por sorte o prefeito adiou a abertura do mercado de Natal devido ao mau tempo e aos fortes ventos. Caso contrário, muito mais pessoas teriam morrido”, disse a fonte.

A agência de notícias Belga afirmou que diversos objetos “suspeitos” foram encontrados na praça e que os especialistas em desarmamento de bombas estão a caminho.

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