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Atirador da Califórnia é identificado como supremacista de 19 anos

Morador de Gilroy, Santino William Legan postou no Instagram elogios à 'bíblia' de antissemitas e racistas momentos antes do ataque

Por Da Redação - 29 jul 2019, 17h04

O atirador que matou três pessoas na cidade de Gilroy, no estado americano da Califórnia, foi identificado nesta segunda-feira, 29, como Santino William Legan, jovem de 19 anos com perfil de supremacista branco. Os indícios apontam para um crime premeditado contra os latino-americanos da região, reunidos no momento em um festival anual.

O rapaz rompeu a cerca em torno do local do Gilroy Garlic Festival (Festival do Alho de Gilroy) pouco antes de seu término, no domingo 28. Dessa forma, esquivou-se de passar no detector de metais e pelos seguranças na entrada do evento. Em seguida, na praça de alimentação, disparou a esmo com um fuzil e matou, entre outros, Stephen Romero, de seis anos. A mãe e a avó do garoto estão entre as 15 pessoas feridas.

Gilroy é uma pacata cidade a 31 quilômetros de São Francisco, com 50.000 habitantes, que se autodenomina “Capital Mundial do Alho”. Desde 1979, ali se dá um festival de três dias de música e comidas tipicas – à base de alho – que atrai cerca de 100.000. No momento em que Legan iniciou os disparos na praça de alimentação, a poucos metros do palco, a banda Tin Man fazia sua apresentação, segundo aa rede de televisão  CBS San Francisco.

O vocalista Jack van Breen relatou ter visto o atirador, vestido com camiseta verde e lenço cinza, e ouvido alguém perguntar a ele: “Por que está fazendo isso?” Legan respondeu: “Por que estou com muita raiva.” O atirador parou somente depois de enfrentar a polícia a tiros e de ser atingido fatalmente “É um tipo de pesadelo que você espera nunca viver na realidade”, disse o chefe de política de Gilroy, Scott Smithee.

Legan se dizia “italiano-iraniano” na rede Instagram, na qual tinha apenas posts. Sua conta foi desligada logo depois de a polícia tê-lo identificado ao como o autor dos disparos. Segundo o jornal New York Post, havia um post com uma foto do festival, com o comentário “Hora de festival do alho. Venha se esbaldar em coisa cara”.

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Havia ainda elogios ao livro “Real Might is Right”, polêmica obra do final do século XIX assinada por Ragnar Redbead, pseudônimo que oculta até agora seu autor desconhecido.  O livro tem sido usado como uma “bíblia” de supremacistas brancos, antissemitas e racistas e de desdobra em críticas ao cristianismo e à democracia. Está banido há anos nos Estados Unidos. O atirador, porém, o chamou de “uma das obras mais incendiárias já publicadas”.

O rapaz era de Gilroy, mas passava temporadas no estado de Nevada com a família, onde comprou a AK-47 usada no ataque ao festival no último dia 9 de julho. A polícia local fez uma busca na casa da família Legan na manhã desta segunda-feira, vasculhou um carro empoeirado e deixou o local carregando caixas com papeis. Os vizinhos disseram que a família Legan é muito fechada. O atirador tem dois irmãos, às vezes todos lutavam boxe com o pai. O avô, Thomas, morreu no ano passado.

Levantamento do jornal The Washington Post mostra que 1.165 pessoas foram mortas nos Estados Unidos em 163 ataques como o de Gilroy desde agosto de 1966, quando um jovem instalou-se na torre do relógio da Universidade do Texas e disparou nos transeuntes. Dezessete pessoas morreram. Com as vítimas de Gilroy o total sobe para 1.168.

Com base nos dados do Post, Legan tornou-se o 168º atirador – e o 95º a ser morto pelas forças de segurança durante ou depois dos ataques. É um dos que não entra na lista majoritária dos assassinos entre 20 e 49 anos de idade.

 

 

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