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Atentados deixam quase 70 mortos no Iêmen

Rejeitado por rebeldes, premiê Ahmed Awad ben Mubarak renunciou em nome da 'unidade' no país, algo que parece cada vez mais distante

Por Da Redação 9 out 2014, 16h40

Dois atentados suicidas, um deles contra uma manifestação de xiitas, deixaram ao menos 67 mortos nesta quinta-feira no Iêmen, país que está afundando em uma crise política e religiosa que ameaça se transformar em guerra civil.

O primeiro atentado ocorreu em Sanaa e deixou 47 mortos e 150 feridos. O suicida detonou os explosivos que levava junto ao corpo quando se aproximou de um posto de controle dirigido por rebeldes xiitas, conhecidos como houthis, que pertencem à minoria zaidita.

No final de setembro, os houthis assumiram o controle da capital, mas um acordo intermediado pela ONU conseguiu encerrar os combates nas ruas. A tomada de Sanaa veio após semanas de protestos de apoiadores dos rebeldes com o objetivo de pressionar uma troca no governo e uma participação maior no comando do país.

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O segundo ataque desta quinta foi realizado perto de Mukalla, no sudeste do país, e causou a morte de vinte soldados, segundo fontes médicas e militares. A agência oficial de notícias Saba informou que o atentado em Sanaa foi maior ataque cometido na capital desde o dia 21 de maio de 2012, quando um ataque da Al Qaeda contra militares deixou cerca de cem mortos.

Nenhum grupo assumiu a responsabilidade sobre os atentados, mas a rede terrorista, que é sunita, há anos realiza ataques suicidas contra tropas do Exército, agentes de segurança e instalações do governo iemenita, com a acusação de favorecimento aos houthis. O grupo também protagoniza há semanas uma campanha contra os xiitas. Além disso, a Al Qaeda na Península Arábica já havia advertido que realizaria um ataque contra os houthis.

Execuções e renúncia – Também nesta quinta, a rede terrorista publicou um vídeo na internet do sequestro de catorze militantes sunitas considerados apóstatas pelos terroristas. As imagens foram publicadas numa conta do Twitter. Elas mostram homem mascarados forçando um ônibus a parar e obrigando os ocupantes a descer. Não há indicação de quando a ação ocorreu. Segundo o vídeo, três reféns foram decapitados e os demais foram mortos a tiros.

O aumento das tensões sectárias ocorre no momento em que o presidente Abd Rabbo Mansour Hadi foi obrigado a aceitar a renúncia do novo primeiro-ministro Ahmed Awad ben Mubarak, que havia sido nomeado na terça-feira. Pela manhã, o premiê pediu ao presidente para sair ressaltando a necessidade de “preservar a unidade nacional”.

O pedido foi apresentado depois de o chefe dos rebeldes xiitas, Abdel Malek al-Houthi, fazer um pronunciamento convocando protestos contra a escolha do primeiro-ministro. Ele reclamou que a escolha foi feita depois de um encontro com o embaixador dos Estados Unidos no país e acusou o presidente de ser uma “marionete” de potências estrangeiras. “A flagrante interferência estrangeira é uma forma de contornar a revolução popular”, declarou Houthi.

Apesar do atentado suicida e da saída de Bin Mubarak da chefia do governo, cerca de 4.000 houthis foram às ruas pedir a renúncia de Hadi e gritar palavras de ordem contra os Estados Unidos e a Arábia Saudita.

(Com Estadão Conteúdo e agências EFE, Reuters e France-Presse)

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