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Atentados deixam 16 mortos em Bagdá

Uma série de atentados, vários deles cometidos com carros-bomba, atingiu na manhã desta quinta-feira vários bairros em Bagdá, matando pelo menos 16 pessoas, o maior registro de vítimas na capital desde meados de abril.

O pior ataque foi causado por um carro-bomba que explodiu no bairro de Shula, no norte da capital, e matou pelo menos 13 pessoas, deixando outras 32 feridas, segundo duas fontes médicas.

De acordo com um tenente da polícia entrevistado pela AFP no local, o carro era conduzido por um homem-bomba, o que não foi confirmado por fontes oficiais.

A tensão era grande no local da explosão e disparos de armas de fogo ressoavam nas proximidades, constataram jornalistas da AFP.

“Vamos atirar. Eu desafio qualquer um que queira nos parar!”, gritou um homem, que declarou ter perdido dois membros da família.

A polícia bloqueou o acesso ao local da explosão, onde muitos edifícios tiveram suas janelas quebradas pelo impacto da bomba. O socorro aos feridos aconteceu no local, enquanto um táxi amarelo manchado de sangue era levado para investigação.

Abu Qarrar, motorista de táxi de 39 anos, vestido com uma túnica tradicional manchada com sangue, afirmou: “Eu não senti nada, mas de repente fui jogado para o ar e bati em uma porta. Vi mortos, feridos com membros arrancados. Levei algumas pessoas e as ambulâncias começaram a chegar. Agora, eles limpam as ruas como se nada tivesse acontecido”.

Já Qusay Rahi, de 31 anos, afirmou que viu pessoas “chorando, mortificadas”. “Eu conhecia dois irmãos que foram mortos nesta explosão. Eu não sei do que eles eram culpados, mas que Deus esteja com eles”.

“Eu não sei quem causou a explosão, mas o governo tem a responsabilidade de proteger as pessoas”, acrescentou.

O ministério do Interior fez referência em um comunicado a “ataques com carros-bomba contra civis inocentes”, sem especificar o número de “mártires” mortos. “A maioria dos feridos está em estado crítico”.

Pelo menos quatro outras explosões aconteceram no oeste de Bagdá, nos bairros de Yarmouk, Ghazaliya, Amriya e Dora no sul, a maioria dos ataques perpetrados entre as 8h00 e as 9h00 locais (3h00 no horário de Brasília).

Um segundo carro-bomba explodiu perto da casa de um funcionário do primeiro-ministro Nouri al-Maliki, no bairro de Yarmouk, e matou um transeunte.

Estes são os piores ataques ocorridos em Bagdá desde 19 de abril, quando 17 pessoas morreram e 106 ficaram feridas na capital e em seus arredores.

Mais casos de violência foram registrados no Iraque. Em Tikrit (centro), um civil foi morto na quarta-feira de manhã na explosão de uma bomba, de acordo com o centro de operações.

E, perto de Mosul (norte), um policial foi morto na cidade de Rabya, segundo um comunicado do ministério do Interior. “Ele foi morto durante confrontos com um grupo de traficantes armados que se deslocavam entre o Iraque e a Síria”.

A violência no Iraque diminuiu nos últimos anos, mas permanece diária: 126 pessoas morreram em ataques durante o mês de abril, de acordo com estatísticas oficiais.