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Atentado deixa mais de 50 mortos no centro de Damasco

Nesta quinta-feira, um carro-bomba atingiu uma rua movimentada da capital, próxima a escritórios do partido governista Baath e da embaixada da Rússia

Por Da Redação 21 fev 2013, 10h00

Um carro-bomba atingiu a região central de Damasco nesta quinta-feira, matando ao menos 53 pessoas e destruindo carros em uma rua movimentada perto de escritórios do partido governista Baath e da embaixada da Rússia, disseram ativistas. Imagens de vídeo mostraram pelo menos quatro corpos, expostos após a explosão – que a imprensa estatal descreveu como um atentado suicida cometido por “terroristas” que combatem Bashar Assad.

Entenda o caso

  1. • Durante a onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março de 2011 para protestar contra o governo do ditador Bashar Assad.
  2. • Desde então, os rebeldes enfrentam forte repressão pelas forças de segurança. O conflito já deixou dezenas de milhares de mortos no país, de acordo com levantamentos feitos pela ONU.
  3. • Em junho de 2012, o chefe das forças de paz das Nações Unidas, Herve Ladsous, afirmou pela primeira vez que o conflito na Síria já configurava uma guerra civil.
  4. • Dois meses depois, Kofi Annan, mediador internacional para a Síria, renunciou à missão por não ter obtido sucesso no cargo. Ele foi sucedido por Lakhdar Brahimi, que também não tem conseguido avanços.

A região central Damasco tem ficado relativamente distante do conflito de quase dois anos que já matou cerca de 70.000 pessoas em todo o país, de acordo com a ONU. Mas os rebeldes que controlam bairros ao sul e leste da capital passaram a atacar o centro do poder de Assad há algumas semanas e têm realizado alguns bombardeios devastadores. O grupo rebelde Al Jabhat Nusra, ligado à Al Qaeda, assumiu a responsabilidade por vários desses ataques.

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Embaixada – Segundo ativistas, a explosão foi seguida por pelo menos três outras, em diferentes lugares de Damasco, e deixou uma espessa nuvem de fumaça negra no céu sobre o distrito de Mazraa. A agência de notícias russa Itar-Tass citou um diplomata dizendo que a explosão estourou janelas da embaixada russa, que está de frente para a rua onde houve a explosão, mas ninguém ficou ferido. “O prédio foi realmente danificado. As janelas estão destruídas”, disse ele.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, um grupo britânico que monitora a violência na Síria, confirmou que o carro-bomba explodiu perto de um edifício do partido Baath, cerca de 200 metros ao sul da embaixada russa, e que a explosão causou ao menos 31 mortes. A agência de notícias oficial síria Sana disse que, entre os mortos, estão crianças de uma escola de Mazraa, que foi descrito como um bairro residencial da capital.

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Estádio de futebol – O ataque que atingiu a sede do partido é mais um episódio na escalada das tensões na capital Damasco. Nesta quarta, explosões atingiram o estádio Tishreen, no bairro de Baramkeh, matando um jogador do time de futebol Al Wathba, de Homs. O atleta foi atingido quando se preparava para o treino.

Na terça-feira, rebeldes afirmaram que o Exército Livre da Síria fez sete disparos de morteiro em direção ao palácio Tishreen, também em Damasco. Não foram divulgadas informações sobre vítimas e também não se sabe se Assad estava no palácio no momento do ataque.

Oposição – Membros da Coalizão Nacional das Forças Revolucionárias e de Oposição Sírias, principal grupo de oposição do país, reúnem-se a partir desta quinta no Cairo, Egito, para discutir os termos de uma eventual negociação com o governo. A coalizão afirmou estar disposta a negociar um acordo de paz que encerre a guerra civil no país, desde que Assad não participe das conversas.

Um texto que deverá ser debatido na reunião omite a exigência direta para que Assad deixe o poder, atenuando a posição anterior pelo afastamento do ditador como pré-condição para qualquer negociação, informou a agência Reuters. No entanto, prevê a responsabilização do governo pelo conflito, e a intermediação dos Estados Unidos e da Rússia – aliada de Assad – em um eventual acordo.

A iniciativa partiu do chefe da coalizão, o xeque Ahmad Moaz al-Khatib, um clérigo de Damasco que participou dos protestos contra Assad já em 2011. Os participantes da reunião deixaram claro que, pelo menos por enquanto, Khatib está falando apenas por si mesmo e não pela coalizão.

Hezbollah – Também nesta semana, rebeldes sírios advertiram os terroristas da organização xiita libanesa Hezbollah a parar de lutar em apoio ao governo de Bashar Assad. O Exército Sírio Livre, principal braço armado rebelde, ameaçou atacar posições do Hezbollah no Líbano, em represália pelo bombardeio de locais controlados pelos rebeldes na Síria.

Um comunicado do grupo solicitou aos cidadãos libaneses, especialmente na fronteiriça cidade de Hermel, de maioria xiita e pró-Hezbollah, a se manterem longe das posições do Hezbollah.

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