Ataque russo atinge hospital infantil e deixa ao menos 16 mortos em Kiev
Moscou dispara quase 170 drones e dezenas de mísseis durante a madrugada; Zelensky denuncia que objetivo é causar 'o máximo de danos possível' aos civis
Bombardeios noturnos russos contra a capital da Ucrânia, Kiev, deixaram ao menos 16 pessoas mortas nesta quinta-feira, 20, e danificaram um hospital infantil, prédios residenciais e uma escola.
Segundo a Força Aérea ucraniana, a Rússia lançou 168 drones e dezenas de mísseis durante a ofensiva, incluindo modelos balísticos, de cruzeiro e hipersônicos. Posteriormente, as autoridades disseram ter interceptado 41 dos 46 mísseis de cruzeiro e 145 drones. Nenhum dos mísseis balísticos de alta velocidade foi abatido.
“Foi um ataque massivo — os russos estavam se preparando há muito tempo, combinando diferentes tipos de mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e drones, com o objetivo de causar o máximo de danos possível à infraestrutura civil”, afirmou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.
+ Zelensky demite sua vice-chefe de gabinete em meio a megaoperação anticorrupção
No distrito de Solomianskyi, a oeste do centro da capital, oito pessoas morreram e um edifício residencial de vários andares foi atingido. Duas das vítimas estavam no local, segundo equipes de resgate.
Fora da capital, um ataque no distrito de Brovary, na região de Kiev, matou um homem e deixou outro ferido, de acordo com o governador regional, Tymur Tkachenko. Uma instalação industrial foi danificada e pegou fogo. Em Boryspil, a leste de Kiev, depósitos também foram atingidos, incluindo uma unidade operada pela Cruz Vermelha ucraniana.
+ Como os drones estão mudando a lógica dos combates no Irã e na Ucrânia
Também nesta quinta, Moscou afirmou ter sido alvo de uma grande ofensiva ucraniana. O prefeito da capital russa, Sergei Sobyanin, disse que cerca de 250 drones seguiram em direção à região de Moscou ao longo da madrugada. Segundo ele, porém, a maioria foi destruída antes de chegar à capital.
Os ataques provocaram respostas de segurança nos países vizinhos que integram a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A Polônia informou que mobilizou aeronaves e sistemas de defesa para proteger seu espaço aéreo, sobretudo nas áreas próximas à fronteira ucraniana, enquanto o Ministério da Defesa da Romênia disse que radares detectaram alvos aéreos perto da fronteira com a Ucrânia. Dois caças espanhóis empregados em missões da Otan e um helicóptero da Força Aérea romena foram mobilizados.
Intensificação dos ataques
A ofensiva ocorre em meio à intensificação dos ataques aéreos entre os dois países, mais de quatro anos após o início da invasão russa da Ucrânia. Com poucas mudanças no extenso front terrestre e ganhos territoriais limitados para ambos os lados, a guerra tem assumido cada vez mais um caráter aéreo, marcado pelo uso de drones, mísseis e bombas.
A Ucrânia depende de mísseis do sistema de defesa aérea Patriot, fornecidos pelos Estados Unidos para interceptar parte dos mísseis russos. Washington, no entanto, reduziu seus estoques após o uso de grande quantidade de interceptadores durante o conflito com o Irã e tem demonstrado resistência em ampliar os envios.
Em julho, o governo americano chegou a discutir a possibilidade de permitir a produção de Patriots pela Ucrânia, mas o presidente Donald Trump posteriormente negou que tivesse autorizado a transferência da tecnologia.







