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Ataque nos EUA: México quer denúncia por terrorismo e extradição de autor

Governo mexicano pede que autoridades americanas assumam responsabilidade por uso indiscriminado de armas após atirador deixar 20 mortos no Texas

Por Da Redação
5 ago 2019, 09h29

O governo do México anunciou neste domingo 4 que estuda denunciar por terrorismo contra mexicanos em território americano o autor do ataque em El Paso, bem como um eventual pedido de extradição, após a morte de sete cidadãos mexicanos no atentado, que deixou 20 mortos no sábado.

“Será uma avaliação que ficará a cargo da Procuradoria Geral da República solicitar – se houver os elementos necessários – a extradição do autor ou dos autores deste fato”, disse o secretário de Relações Exteriores mexicano, Marcelo Ebrard.

“Será uma decisão a ser tomada no devido momento, mas que ninguém se surpreenda, porque, para o México, este indivíduo é um terrorista”, completou, antes de destacar que poderia se tratar da “primeira demanda desta natureza” na história do seu país.

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, declarou que seu governo está pedindo “com firmeza” uma punição aos responsáveis e criticou o uso indiscriminado de armas nos Estados Unidos.

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“Que as autoridades também assumam a responsabilidade no caso de excessos permitidos, como o uso indiscriminado de armas”, disse o presidente em um evento público no estado central de Michoacán.

El Paso é vizinha da mexicana Ciudad Juárez e seus habitantes mantêm uma intensa dinâmica social e comercial, com cidadãos de ambos os lados indo e vindo para trabalhar, estudar ou fazer compras.

As autoridades americanas que investigam o ataque em uma loja do Walmart na cidade de El Paso estão tratando o massacre como um caso de terrorismo doméstico.

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Neste domingo, o suspeito de provocar o atentado foi indiciado por homicídio qualificado, o que pode ser punido com a pena de morte no Estado do Texas. O homem foi identificado como Patrick Crusius, branco, de 21 anos.

Ele é seguidor do presidente americano Donald Trump e contra a “mistura de raças”. Patrick ainda deixou um manifesto contra o que chama de invasão hispânica do Estado do Texas. A investigação, que tentará identificar as motivações e o passado do atirador, ainda deverá levar dias.

Após o ataque em El Paso, outro atirador abriu fogo contra uma área de lazer na cidade de Dayton, em Ohio, na noite de sábado. O homem matou nove pessoas, entre elas a própria irmã, e feriu outras 27 em menos de um minuto, antes de ser abatido a tiros pela polícia que patrulhava a área.

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Em seu primeiro pronunciamento sobre os ataques neste domingo, o presidente americano Donald Trump evitou falar em xenofobia. O republicano afirmou que “não há lugar para o ódio” no seu país.

Trump atribuiu a violência a “problemas mentais”: “Temos que fazer com que isso pare. Isso está acontecendo há anos em nosso país”, disse em Nova Jersey.

Defesa da comunidade hispânica

O chanceler mexicano informou no Twitter que viajará nesta segunda-feira, 5, a El Paso para reunir-se com as vítimas, incluindo sete mexicanos feridos, e “dar o pleno apoio do governo do México”.

Ele acrescentou que a chancelaria também irá empreender ações legais contra os responsáveis por vender a arma ao autor do massacre, e indagará se as autoridades “conheciam as potencialidades desse indivíduo”.

O governo mexicano entregará hoje uma nota diplomática a Washington para pedir ao governo americano que “defina uma posição clara e contundente contra os crimes de ódio”.

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“Não se resolve nada com a violência e não se resolve nada como o que se conhece como xenofobia, o ódio ao estrangeiro, o ódio ao migrante”, disse López Obrador em Michoacán

O ministério das Relações Exteriores também convocará um encontro entre todos os países hispânicos que têm comunidades nos Estados Unidos para promover a “defesa correta, de acordo com a lei, do direito e da cultura de língua hispânica” neste país.

O governo informou ainda que organizará reuniões com consulados mexicanos em diferentes regiões dos Estados Unidos para orientá-los sobre como proceder a partir desta segunda-feira para proteger seus cidadãos em território americano.

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Ebrard disse que o governo adotará ações legais “contundentes” para exigir que os Estados Unidos protejam seus cidadãos.

(Com AFP)

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