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Ataque contra aeroporto do Paquistão deixa 23 mortos

Ação ainda não foi reivindicada, mas ataques precedentes contra instalações vitais no país foram atribuídos aos talibãs

(Atualizada às 22h56)

Vinte e três pessoas morreram na madrugada desta segunda-feira em um ataque de homens armados contra o aeroporto de Karachi, o principal do Paquistão, onde o exército continua combatendo os agressores, informaram as autoridades. Entre os mortos estão 13 funcionários do aeroporto e da segurança. As demais vítimas são de militantes que participaram do ataque.

Duas fortes explosões sacudiram o aeroporto, enquanto tiros esporádicos eram escutados na zona do terminal aéreo. Um oficial de Inteligência disse que o ataque envolve mais de doze homens, fortemente armados com fuzis e explosivos. Ao menos um suicida teria detonado granadas que levava no próprio corpo.

O porta-voz do aeroporto, Asim Saleem Bajwa, revelou que todos os passageiros foram evacuados e confirmou a morte de três terroristas. O funcionário da autoridade de aviação civil, Abid Qaimkhani, relatou a suspensão de todos os voos.

Um oficial do Exército, que se identificou como coronel Nayer, disse que entre quatro e cinco terroristas conseguiram chegar às pistas do aeroporto. “Estão fortemente armados, com muita munição e granadas, e comandos das ASF isolaram a zona”, afirmou.

Segundo as primeiras informações, os agressores entraram no Aeroporto Internacional Jinnah por ao menos dois pontos, cortando uma grade que protegia o antigo terminal, que não é mais utilizado pelos passageiros mas ainda abriga escritórios, hangares e oficinas.

Colunas de fumaça podiam ser vistas sobre a zona onde os aviões ficam estacionados, em imagens transmitidas pela TV local. A ação ainda não foi reivindicada, mas ataques precedentes contra instalações vitais no Paquistão foram atribuídos aos talibãs.

O Paquistão é sacudido, há mais de uma década, por uma revolta islâmista que já deixou milhares de mortos. Em 2011, um grupo islâmico atacou a base naval de Karachi, no principal porto do país, matando dez pessoas e destruindo dois aviões Orion de fabricação americana, em uma ação que durou mais de 17 horas.

Na província do Baluchistão, no sudoeste do país, outros dois ataques neste domingo mataram 23 pessoas, a maioria peregrinos xiitas. A ação visou dois restaurantes frequentados por membros da minoria xiita em Taftan, na zona da fronteira com o Irã.

Segundo Akbar Durrani, ministro do Interior do Baluchistão, quatro homens com explosivos no corpo e fuzis atacaram dois restaurantes onde se encontravam cerca de 300 peregrinos xiitas, procedentes de diversas regiões do Paquistão.

O Baluchistão, na fronteira com Irã e Afeganistão, é palco de repetidos atos de violência, incluindo atentados contra a minoria xiita, que representa 20% da população paquistanesa.

(Com agência France-Presse e Estadão Conteúdo)