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Associação denuncia controle “étnico” em visita de príncipe a Israel

Produtor albanês foi impedido de cobrir evento e questionado sobre sua “origem social” e religião

A Associação da Imprensa Estrangeira em Israel (FPA, na sigla em inglês) condenou nesta terça-feira (26) a proibição imposta a um produtor internacional para cobrir o encontro entre o príncipe William do Reino Unido e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu “após um grave caso de controle (de segurança) étnico”.

O produtor, um cidadão albanês credenciado pela agência americana Associated Press (AP) que vive em Israel há três anos, foi reiteradamente perguntado pelos guardas de segurança por sua “origem social”, enquanto outros membros de sua equipe foram questionados a respeito de suas religiões e, concretamente, “se eram muçulmanos”, denunciou a FPA.

“O produtor tinha sido credenciado para o evento anteriormente e o gabinete do primeiro-ministro deu garantias de que sua entrada seria permitida. Ele também era repórter de um ‘pool’ de meios de comunicação estrangeiros”, que deveria fornecer as imagens a outras agências e veículos.

“O produtor e o câmera da AP chegaram à residência do primeiro-ministro duas horas e meia antes do evento, para poderem passar pelos controles de segurança”, mas o jornalista albanês foi impedido de trabalhar.

“A FPA condena seriamente este comportamento infeliz e indefensável do pessoal de segurança do gabinete do primeiro-ministro. Infelizmente, este é só o último episódio de uma longa lista de comportamentos ofensivos e sem precedentes do pessoal de segurança, entre eles perguntas pessoais e revistas nas quais os jornalistas que tentam cobrir as notícias são ordenados a se despir”, afirmou a associação.

A organização pediu que o gabinete de Netanyahu “se desculpe”, e ao duque de Cambridge que seu escritório lamente este comportamento ofensivo: “já é suficiente”, diz o texto.

Os problemas da imprensa estrangeira com a segurança do primeiro-ministro são frequentes e os jornalistas já denunciaram em várias ocasiões que são submetidos a controles exaustivos, que lhes impedem ou atrapalham suas coberturas, apesar de estarem devidamente credenciados e, em muitos casos, trabalhando há anos no país.

(Com EFE)