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Assassino da Noruega assume mortes, mas não admite culpa nem remorso

Por Por Pierre-Henry DESHAYES 16 abr 2012, 11h00

Anders Behring Breivik chorou de maneira inesperada nesta segunda-feira, primeiro dia de seu julgamento, após se declarar inocente e se manter impassível quando a promotoria leu os nomes das 77 vítimas massacradas em julho do ano passado na Noruega.

Imperturbável durante toda a manhã, com exceção de raros momentos em que chegou a sorrir, Breivik, com o rosto corado, caiu em lágrimas quando o tribunal projetou um filme de propaganda realizado e difundido por ele na internet no dia 22 de julho, dia dos ataques.

“É improvável, no entanto, tratar-se de arrependimento, ele sentiu pena de si mesmo, não das famílias”, declarou um advogado das famílias das vítimas, Mete Yvonne Larsen, ao comentar o choro do réu.

“Eu reconheço os fatos, mas não reconheço minha culpa”, declarou Breivik. “Invoco a legítima defesa”, acrescentou, explicando que agiu contra “traidores da pátria” culpados de vender a sociedade norueguesa ao Islã e ao multiculturalismo.

Ao entrar no tribunal, Breivik bateu no peito com a mão direita antes de estender o braço, com punho cerrado, para o público de cerca de 200 pessoas, composto por famílias de vítimas, sobreviventes, jornalistas e quatro psiquiatras. Esta saudação, explica em um manifesto publicado na internet, representa a “força, honra e um desafio aos tiranos marxistas na Europa”.

De terno escuro, camisa branca e gravata bege dourada, Breivik que se apresentou como escritor declarou para os cinco juízes: “Eu não reconheço o tribunal norueguês”.

Durante a primeira pausa da manhã, ele nem se incomodou em levantar, ao contrário do habitual, quando os juízes, entre eles a presidente Wenche Elizabeth Arntzen, saíram da sala.

O julgamento do massacre mais sangrento cometido na Noruega deste a Segunda Guerra Mundial teve início às 9h00 (4h00 no horário de Brasília), com um forte esquema de segurança e uma presença considerável da imprensa.

O procedimento deverá durar seis semanas e a principal questão será a sanidade mental do acusado, que já reivindicou o massacre.

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Breivik, 33 anos, é acusado de “atos de terrorismo”. Seu testemunho deve acontecer nesta terça-feira.

Mas seu advogado, Geir Lippestad, que tem a ajuda de três assistentes, já preveniu: “Será extremamente difícil escutar suas explicações”. Segundo o defensor, “ele vai lamentar por não ter ido mais longe em sua carnificina, caracterizada por ele como “atroz, mas necessária”.

O procurador Inga Bejer Engh leu a ata de acusação e enumerou o nome das 77 vítimas. Das vítimas, oito foram mortas na explosão de um carro-bomba próximo de uma das sedes do governo e 69, a maioria com menos de 20 anos, foram friamente assassinadas na ilha de Utoeya.

Em um silêncio quase religioso, apenas os nomes das vítimas eram ouvidos.

As famílias das vítimas demonstravam sua desaprovação acenando com a cabeça. Algumas pessoas sufocavam os soluços.

Breivik manteve sua cabeça e olhos baixos, com o rosto completamente impassível, como se não ouvisse o procurador declarar solenemente: “O acusado praticou crimes extremamente graves em uma escala que até agora nunca foi vista em nosso país nos tempos modernos”.

Durante a intervenção do segundo promotor, Svein Holden, Breivik se mostrou mais ativo e atento: tomou notas, olhou para as diferentes imagens projetadas pela acusação em uma tela gigante.

Seu rosto até esboçou um enorme sorriso quando Holden contou como o o acusado tinha vendido diplomas falsos.

Caso os juízes, em seu veredicto esperado para julho, considerá-lo penalmente responsável, Breivik pegará 21 anos de prisão, uma pena que pode ser prolongada o tempo que ele for considerado perigoso.

Do contrário, deverá ser submetido a um tratamento psiquiátrico em um hospital fechado, provavelmente pelo resto de sua.

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