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Assange: há ‘muito material’ da campanha a ser revelado

Fundador do site WikiLeaks deu entrevista à rede 'CNN' após o vazamento de e-mails que abalaram convenção do Partido Democrata

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, afirmou à rede CNN nesta terça-feira que seu site deve revelar ainda “muito material” relevante da campanha eleitoral americana. A declaração foi feita dias após um vazamento de e-mails, divulgados pelo WikiLeaks, ter abalado a Convenção Nacional do Partido Democrata, que nomeou na noite desta terça-feira a candidata Hillary Clinton para concorrer à Casa Branca em 8 de novembro.

Na última sexta-feira, dia 22, o WikiLeaks divulgou mais de 20.000 e-mails trocados entre membros do Partido Democrata. As mensagens divulgadas por um suposto hacker e, posteriormente, pelo site WikiLeaks mostram que líderes democratas podem ter favorecido Hillary Clinton nas primárias do partido, prejudicando o outro pré-candidato, Bernie Sanders. Os democratas acusam o presidente russo, Vladimir Putin, de estar por trás do vazamento para tentar favorecer o republicano Donald Trump.

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Na entrevista à CNN, Assange não negou nem confirmou que o vazamento tenha sido obra de hackers russos. Com uma resposta ambígua, o fundador do WikiLeaks disse que “excluir certos atores facilitaria o trabalho de descobrir que são as fontes”.

O Kremlin negou estar por trás dos vazamentos e chamou as acusações dos democratas de que Moscou teria como objetivo influenciar a política dos Estados Unidos de “os joguinhos de sempre” nas campanhas eleitorais americanas. “Isso não é nada bom para relações bilaterais”, disse Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin.

Assange afirmou que os democratas acusam os russos para desviar a atenção do conteúdo dos e-mails. Segundo ele, faz parte do “instinto natural de Hillary Clinton tentar culpar russos, chineses etc” quando confrontada com graves escândalos políticos domésticos. “Se ela agir assim enquanto estiver no governo, isso poderá causar problemas”, acrescentou.

Julian Assange concedeu a entrevista da embaixada do Equador em Londres, onde vive há três anos. Se ele deixar o prédio, será preso e extradição à Suécia, onde é investigado por crimes sexuais.