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Assange apresenta recurso contra extradição nesta quinta

O fundador do WikiLeaks espera evitar julgamento por crimes sexuais na Suécia

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, apelou perante a Alta Corte de Londres contra a sentença emitida na semana passada por um juiz britânico, que decidiu extraditá-lo para a Suécia, onde enfrenta quatro acusações de crimes sexuais, anunciou nesta quinta-feira uma fonte judicial. Um funcionário da Corte confirmou que os advogados, que tinham até esta quinta-feira para recorrer da decisão, apresentaram os documentos necessários, mas indicou que ainda não foi definida uma data para examinar a apelação.

A Justiça sueca acusa Assange de três crimes de agressão sexual e um de estupro a partir da denúncia de duas mulheres, que declararam que os fatos ocorreram em agosto de 2010. Assange, cujo site divulgou recentemente milhares de informações confidenciais sobre a diplomacia dos Estados Unidos e agora concorre ao prêmio Nobel da Paz, foi detido em Londres em dezembro, depois de receber ordem de extradição da promotoria sueca. Ele nega as acusações e acredita que o processo tem motivações políticas.

O argumento da defesa de Assange contra a extradição é que ela representaria a submissão do hacker a um júri sem testemunhas, como estabelece a lei sueca para os delitos sexuais. A defesa também teme que, se for entregue à Suécia, ele poderia ser enviado aos EUA e processado por um delito de alta traição – a difusão dos documentos oficiais americanos – e, como consequência, ser executado. Mas a Suécia alega que seu país “protege contra esse tipo de ameaça ou violência” e que a Corte Europeia de Direitos Humanos interferiria em caso de “tratamento desumano e degradante ou julgamento injusto”.

Em 24 de fevereiro, o juiz de primeira instância Howard Riddle decidiu que os temores da defesa eram infundados e decretou a extradição a que agora Assange recorre em instâncias mais elevadas.

(Com Agência France-Presse)