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Assad vai derrotar ‘complô internacional’ a qualquer preço

Pela primeira vez, o Conselho Nacional Sírio, formado há um ano em Istambul, pede de forma explícita uma intervenção militar estrangeira no conflito do país

O ditador Bashar Assad disse neste domingo que a Síria irá derrotar o que chamou de um “complô estrangeiro” contra o país, de acordo com a agência de notícias Sana. Mais cedo, o Conselho Nacional Sírio (CNS), organismo que tenta agrupar a oposição ao regime, pediu em Istambul uma intervenção militar da comunidade internacional no conflito, depois que ativistas encontraram centenas de corpos de vítimas da repressão em Daraya, um povoado da província de Damasco.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março de 2011 para protestar contra o regime de Bashar Assad.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança, que já mataram milhares de pessoas no país.
  3. • A ONU alerta que a situação humanitária é crítica e investiga denúncias de crimes contra a humanidade por parte do regime.

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“O povo sírio não permitirá que essa conspiração atinja seus objetivos. O que está acontecendo agora não é dirigido apenas à Síria, mas a toda a região”, afirmou Assad, ao receber a um enviado do Irã em Damasco ao lado do vice Farouk al Charaa, que não aparecia em público há um mês. “A Síria prosseguirá sua estratégia de resistência, apesar da colaboração entre os países ocidentais e alguns estados da região para que mude de posição”, completou o ditador, que enfrenta uma revolta popular há mais de 17 meses.

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Abdelbaset Sieda, presidente do CNS, denunciou em entrevista coletiva o massacre de Daraya, que atribuiu às forças governamentais – segundo ele, 500 pessoas morreram. Perante a magnitude e a frequência desses massacres, o CNS pediu a proibição de voos militares na Síria, advertindo que já considera necessária uma intervenção militar direta. É a primeira vez que o Conselho, formado há um ano em Istambul, pede de forma explícita a entrada de tropas internacionais na Síria.

“Não queremos que a comunidade internacional derrube o regime de Assad: fazê-lo é de nossa responsabilidade, como povo sírio em luta. Mas exigimos que a comunidade internacional proteja os civis”, declarou o dirigente opositor. Sieda, professor universitário exilado durante anos na Suécia e eleito em junho como presidente do CNS, insistiu que “já não cabem mais hesitações e atrasos, é preciso passar à ação”.

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Desde o início da revolta, o regime de Assad acusa aos rebeldes que combatem o exército sírio de ser “bandos terroristas armados” e a Arábia Saudita, Catar e Turquia de financiá-los e armá-los para semear o caos no país. Assad ignorou até agora todos os pedidos da comunidade internacional para que saia e a repressão aos protestos populares já deixou mais de 25.000 mortos, segundo os ativistas.

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(Com agências France-Presse e EFE)