Asilada no Brasil, ex-primeira-dama do Peru tem sentença por caso Odebrecht anulada
Ela havia sido condenada a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro. O ex-presidente Ollanta Humala, seu marido, também teve pena rescindida em julho
A Justiça do Peru anulou, na quinta-feira 13, a condenação a 15 anos de prisão contra a ex-primeira-dama Nadine Heredia, acusada de lavagem de dinheiro por receber fundos da construtora brasileira Odebrecht.
O Tribunal Superior Nacional aplicou a Nadine uma decisão recente do Tribunal Constitucional (TC) que ordenou a libertação do ex-presidente Ollanta Humala, que governou o país entre 2011 e 2016. Ele e a mulher foram condenados em abril de 2025 por receberem contribuições ilegais da Odebrecht e do governo venezuelano em duas campanhas presidenciais (2006 e 2011).
Pouco após a condenação, a ex-primeira-dama buscou asilo político no Brasil, onde vive com seu filho desde então. Humala ficou preso, mas foi libertado na semana passada, em 3 de agosto, após uma ordem do TC.
O Tribunal Superior estendeu “os efeitos da sentença do TC em favor de Nadine Heredia Alarcón” e outros oito processados, “após se verificar que as acusações decorrem da mesma acusação-matriz” do Ministério Público. Em consequência, determinou “o arquivamento definitivo” do caso, além do levantamento dos mandados de prisão internacionais contra Nadine.
No final de julho, o o advogado do ex-presidente disse ter recebido “com bastante satisfação a sentença que declarou procedente o habeas corpus e, consequentemente, determinou a nulidade de todo o processo”. Durante o julgamento, o casal sempre negou ter recebido dinheiro do governo Hugo Chávez ou de qualquer empresa brasileira.
Caso Odebrecht
Desde que a Odebrecht admitiu, em 2016, o pagamento de propinas a autoridades de diversos países latino-americanos, o Peru tornou-se um dos mais impactados pelo escândalo, com quase todos os presidentes eleitos desde 2001 investigados, processados ou condenados.
Segundo o MP, o escândalo também envolveu os ex-presidentes Alan García (2006-2011), que cometeu suicídio em 2019 antes de ser preso; Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018), ainda investigado; e Alejandro Toledo (2001-2006).
Toledo foi condenado em outubro de 2024 a mais de 20 anos de prisão por receber propinas milionárias em troca de obras em seu governo.
(Com AFP)







