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As propostas ultraliberais inspiradas em Milei e Bukele do presidente eleito da Colômbia

Abelardo de la Espriella venceu segundo turno do pleito presidencial e encerra quatro anos do primeiro governo de esquerda no país

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 jun 2026, 09h59 | Atualizado em 22 jun 2026, 10h27
As propostas ultraliberais inspiradas em Milei e Bukele do presidente eleito da Colômbia Priorize VEJA no Google

O advogado e empresário Abelardo de la Espriella venceu, no domingo 21, o segundo turno das eleições presidenciais da Colômbia e será o sucessor de Gustavo Petro. A vitória marca uma mudança brusca de rumo no país, que nos últimos quatro anos foi governado pela esquerda. Ele tomará posse em 7 de agosto.

De la Espriella derrotou o senador de esquerda Iván Cepeda, candidato apoiado por Petro, em uma disputa marcada pela polarização, pelo debate sobre segurança pública e pelas críticas à situação econômica do país. Com 99,8% das urnas apuradas, a diferença entre eles é de menos de 250 mil votos.

O atual presidente colombiano informou que vai contestar o resultado eleitoral. Segundo Petro, há “muitas irregularidades” e parte das mesas deve ser impugnada. “Ninguém pode ser declarado presidente. É o voto que determina quem é o presidente. Eu obedeço aos juízes”, escreveu nas redes.

Quem é Espriella?

O advogado criminalista de 47 anos, que até pouco tempo vivia entre Miami e a Itália, abandonou a vida de empresário neófito para encarnar “El Tigre”, um personagem que sacudiu o tabuleiro eleitoral ao capitalizar a baixa popularidade de Petro e o avanço da criminalidade no país.

Apesar de não possuir estrutura partidária tradicional e jamais ter ocupado cargo eletivo, De la Espriella cresceu alimentando o sentimento de “antipetrismo” nas redes sociais. No primeiro turno, ele disputou voto a voto com Paloma Valencia, herdeira do ex-presidente Álvaro Uribe, ambos orbitando os 20% das intenções de voto. A diferença fundamental entre eles reside no estilo de atuação: enquanto Valencia representa a direita institucional e o poder organizacional do uribismo clássico, o “tigre” personifica uma extrema direita populista e midiática

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Inspirado por líderes da direita radical que triunfaram recentemente na América Latina, esse colombiano do barulho apresenta um plano de governo que mistura o enxugamento estatal do argentino Javier Milei com a “guerra” às gangues narcotraficantes do salvadorenho Nayib Bukele (de quem também copia o boné, sempre no cocuruto). Pinta-se ainda como um outsider que luta contra a velha elite política (e corrupta, diz), de maneira muito semelhante aos dois colegas de matiz ideológico.

Confira os pilares do programa que ele denomina como “treze milagres para salvar o país”.

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Choque de gestão e ultraliberalismo

Assim como seu ídolo Milei, o autodenominado “Leão” argentino, o tigre colombiano prega um ferrenho enxugamento da máquina pública. Suas propostas incluem a defesa intransigente da liberdade econômica e cortes drásticos nos gastos do governo, apresentando-se como o antídoto ao intervencionismo estatal de Petro.

Segurança “mão de ferro”

Na área da segurança, a fonte de inspiração é Bukele. De la Espriella promete endurecer a guerra contra o crime organizado e as guerrilhas, sem receio de críticas sobre direitos humanos. Em seus comícios, ruge que irá “fumigar as plantações de coca e bombardear os vilarejos” controlados por grupos armados.

“Batalha espiritual” e conservadorismo

O candidato passou por uma metamorfose pública, deixando para trás o perfil neoliberal clássico e ateu para adotar um discurso de “batalha moral e espiritual”.

Ele afirma que o “mal reside na Casa de Nariño”, a residência presidencial da Colômbia, e defende pautas conservadoras, como restrições severas ao aborto.

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Pragmatismo polêmico

Uma de suas propostas mais controversas é a legalização de 10% do dinheiro proveniente do narcotráfico, da mineração ilegal e de outros crimes. Para ele, essa seria uma forma de reinjetar recursos na economia formal, questionando por que o país não pode regularizar esses capitais.

Alinhamento com Trump

Como Milei e Bukele, De la Espriella é um entusiasta apoiador do presidente americano, Donald Trump, e defende uma aliança estreita com os Estados Unidos sob o comando do republicano que não esconde o apetite por avançar (política e militarmente) na América Latina.

Recebeu, inclusive, apoio público da deputada americana María Elvira Salazar. Ela vê nele a chance de recuperar a relação diplomática abalada pela gestão Petro, que criticou ações americanas como a Operação Lança do Sul contra supostos barcos narcotraficantes — bombardeios a pequenas embarcações já deixaram quase 200 mortos desde setembro de 2025.

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Aparentemente, o rugido do outsider foi forte o suficiente para levar a direita radical ao poder.

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