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As histórias dos 33 mineiros

Por Da Redação - 12 out 2010, 21h39

Álex Vega

Aos 31 anos, pai de dois filhos, Álex diz que o confinamento é uma tortura. Sua esposa, Jessica Salgado, queria que ele abandonasse o trabalho na mina, mas ele recusou o pedido, pois precisa do dinheiro para terminar a construção de sua casa.

Ariel Ticona

Apesar de estar entre os 33 mineiros presos na mina chilena, Ariel Ticona pode se considerar um homem de sorte. Aos 29 anos, Ticona pode estar separado de sua família por toneladas de rochas e terras, mas conseguiu acompanhar, por vídeo, o nascimento de sua filha. Esperanza Elizabeth nasceu no dia 14 de setembro e é a terceira filha do mineiro.

Esperanza nasceu com 3,05 kg e 48 centímetros. “Foi Ariel que decidiu pelo nome, é em homenagem a ele”, disse Elizabeth Segovia, mãe da menina. Ariel é considerado uma pessoa tímida e evitou aparecer nos primeiros vídeos. “Já sabia que isso iria acontecer”, garante Hector, pai do trabalhador.

Carlos Barrios

Barrios é considerado uma pessoa impetuosa e até arrogante pelos seus amigos. Pai ausente de um filho de cinco anos, ele não sabe que sua atual noiva, Carolina Véliz, de 24 anos, está grávida. Ela afirma que o comportamento do companheiro vem da falta de amor durante a juventude. Os psicólogos pediram à mulher para não contar sobre sua situação, principalmente por não saber qual seria a reação de Barrios ao sair da mina.

A mãe, Ruth Contreras, rebate as acusações da nora, afirmando que nunca faltou amor pelo filho.

Carlos Bugueño

O jovem de 27 trabalhava como segurança antes de conseguir seu emprego na mina. Só trocou de trabalho por achar que esse seria o caminho mais fácil para comprar sua casa, apesar de estar consciente dos riscos que corria.

Carlos Mamani

O boliviano Carlos Mamani é o único estrangeiro entre os 33 trabalhadores presos. Trabalhava na mina há apenas cinco dias quando aconteceu o acidente. Seu sogro disse a repórteres que Mamani estava chocado e traumatizado e avisou: não voltará a trabalhar em minas novamente. É um dos poucos funcionários a ter ensino completo, com a possibilidade de cursar a universidade. Manani tem 24 anos e tem uma filha. O presidente de seu país, Evo Morales, assegurou a ele trabalho e moradia na Bolívia.

Claudio Acuña

Claudio Acuña trabalhava no local há apenas três dias, quando houve o acidente. O mineiro comemorou seu aniversário de 56 anos no local. De presente, ganhou uma camisa de futebol autografada pelos jogadores de seu time, o Colo Colo.

Claudio é mais um na lista das promessas de casamento. “Ele queria casar em fevereiro de 2011. Mas garantiu que, ao sair da mina, vamos nos casar”, revela Fabíola Araya, sua mulher.

Claudio Yáñez

Aos 34 anos, Claudio Yáñez é fanático por rock e futebol. Trabalha na mina de San José desde fevereiro. Sua namorada, Cristina Nunez, o pediu em casamento em uma carta enviada à mina. Ele garante que se casam no momento em que sair do local. Claudio e Cristina têm duas filhas. A futura – e provável – esposa do mineiro está otimista. “Estão contando piadas, cada um tem suas coisas, eles estão bem.”

Daniel Herrera

Aos 27 anos, Daniel Herrera tem um papel fundamental na mina de San José. Da função de motorista de caminhão, ele passou a atuar como assistente de paramédico para auxiliar seus colegas. Em uma carta recente a familiares, disse que os mineiros estão insatisfeitos com o psicólogo que trabalha na equipe de resgate. Segundo Daniel, o profissional causou “histeria em todos”. Familiares dos mineiros relataram que eles se sentem pressionados durante as sessões de terapia.

Darío Segovia

Darío, de 48 anos, tinha apenas três meses de trabalho na mina quando o desabamento aconteceu. O sonho do homem, que tem seis filhos, era usar o dinheiro do novo serviço para trabalhar com a venda de vegetais. Darío aproveitou o sistema de comunicação improvisado para enviar uma carta para a mãe, Margarita Rojo, de 71 anos, onde pedia desculpas por não ser um bom filho. Ele só ficou preso porque aceitou fazer hora extra para ganhar mais dinheiro.

Edison Fernando Peña

“Quero ser livre. E apenas ver o sol”, disse Edison Fernando Peña, de 34 anos. Ele é um dos mineiros que mais sofreu com o soterramento da mina em San José. O trabalhador, que tem problemas auditivos e sofre de hipertensão e diabetes, não gosta de receber ordens de outras pessoas. No entanto, prometeu melhorar.: “Em uma das cartas que me enviou, garantiu que vai mudar sua postura depois de sair deste tormento”, diz a esposa, Angélica Álvarez, de 43 anos.

Esteban Rojas

Quando sair da mina, Esteban Rojas, de 44 anos, deve casar na igreja com sua esposa Jessica Yáñez, de 43 anos. Um sonho do casal que, na época da primeira união, não tinham dinheiro suficiente para a cerimônia. O especialista em explosivos, que tem quatro filhos, já havia encerrado seu turno, mas como devia alguns dias, estava fazendo hora extra para compensar. Jessica disse que ele havia faltado para comparecer ao enterro de um tio.

Florêncio Ávalos

Com 31 anos, Ávalos é o jovem capataz e cinegrafista oficial do grupo de mineiros. Como não gosta de aparecer, resolveu ficar por trás das câmeras em quase todos os vídeos enviados à superfície. O trabalhador está na mina há três anos e é tido como um guerreiro por seus dois filhos. Ele utilizou sua influência para empregar o irmão Renan Ávalos e o cunhado Osman Araya na mina.

Seu filho Alex, de 16 anos, afirma que o pai não teve a oportunidade de ingressar em uma faculdade como sempre desejou, mas tem planos para voltar a estudar.

De acordo com sua esposa, Monica Araya, de 33 anos, a situação do capataz foi primeiramente ignorada pelo resto de sua família, que só se aproximou quando viu uma oportunidade de aparecer na TV. Ele é considerado o melhor amigo de Luis Urzúa, chefe de turno responsável pelos mineiros no momento do acidente.

Franklin Lobos

Dos gramados para a mina no Deserto do Atacama. Desde 2005, O ex-volante da seleção chilena Franklin Lobos é motorista de caminhão nas minas. Em San José, ele está há apenas quatro meses. O ex-jogador, de 51 anos, já vestiu a camisa de seu país nas Olimpíadas de Los Angeles, em 1984.

Caroline, uma de suas filhas, explica a trajetória que levou o pai ao local. “O futebol não era tão valorizado como hoje. Ele comprava um carro por ano, montou uma loja de autopeças, mas ajudou muitos amigos. Acabou se aposentando em 1996 e, no Chile, se você perder o emprego, você não é nada”. Pouco tempo depois, segundo ela, Lobos ficou sem dinheiro e precisou de ajuda. Como as empresas de mineração têm times amadores, Lobos foi contratando para dividir tarefas – no campo e na mina, como motorista.

José Ojeda

Entre todos os mineiros que mandaram mensagens, Ojeda foi o primeiro a transmitir a informação que o mundo queria saber: que os 33 mineiros estavam vivos e bem. O homem de 47 é viúvo e, desde a morte de sua irmã, cuida da sobrinha da sobrinha Elisabeth, que hoje tem 26 anos.

Jimmy Sánchez

Jimmy Sánchez, de 19 anos, é o mineiro mais novo entre os 33 trabalhadores presos na mina desde agosto. Torcedor do Universidad de Chile – um dos times mais tradicionais do país -, o jovem trabalhava somente há cinco meses na mineração quando aconteceu o desmoronamento.

Solteiro e pai de uma menina de apenas três meses, Sánchez já fez uma promessa a sua namorada – Helen Avalos. Diz a garota: “Ele me disse que vamos nos casar depois que acabar essa tragédia”, revela. Um familiar do jovem disse que ele já pensava em uma festa de comemoração, com cerca de 500 convidados.

Jorge Galleguillos

Hipertenso, Jorge Galleguillos trabalha na mina de San José desde o ano passado. Aos 56 anos, foi um dos mineiros que causou maior preocupação à população chilena. Em um dos vídeos apresentados pelos trabalhadores, ele aparece deitado e comentou se sentir muito mal. Miguel, seu cunhado, rapidamente explicou as imagens. “Dentro do possível está bem. Talvez esteja assim porque é hipertenso, mas os remédios já estão chegando. Foi uma alegria vê-lo”.

Jorge, um de seus dois filhos, explica que seu pai sempre trabalhou em minas. “No Chile, é complicado ter um emprego. Ele já se machucou em diversas oportunidades e já ficou até quatro meses de licença médica”, explica o jovem.

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José Henríquez

Evangélico, 56 anos, com duas filhas, Henríquez é considerado por todos no acampamento como o guia espiritual do grupo. Seus companheiros de confinamento dizem que ele tem ajudado a todos com sua serenidade e palavras de conforto. Em sua carta para as filhas, beijos para a esposa e para a neta.

Juan Aguilar

Há 19 anos trabalhando em minas, Juan Aguilar é o responsável por supervisionar o local. Sua esposa, Cristy Coronado Velásquez, garante que ele já pensou em deixar o trabalho para cuidar da filha, Carlita. “E ele já planeja ter outro filho”, avisa. Aos 49 anos, Juan demonstrou muita tranqüilidade em um dos vídeos produzidos pelos mineiros.

Juan LIanes

Juan Llanes é um dos poucos chilenos que escreve seu nome na história do país em duas oportunidades. O mineiro foi militar e esteve presente no conflito do Canal de Beagle, uma disputa por ilhas no Pacífico que quase levou Chile e Argentina a entrarem em guerra. Seu irmão Oscar lembra a experiência. “Este trabalho fortaleceu seu caráter”, garante. Aos 51 anos, Juan é casado e tem um filho de 20 anos.

Luís Urzúa Iribarre

Aos 54 anos, o chefe dos mineiros teve que manter a cabeça fria e organizar as ações de seus funcionários na mina, após o soterramento. Sua presença foi fundamental para controlar os ânimos e trabalhar o racionamento de alimentos nos primeiros dias do desabamento. Pai de dois filhos, Iribarre teve que lidar com o ego e a ansiedade de alguns companheiros de confinamento, que insistiam em obter o controle do fluxo de comunicação e os pedidos de suprimentos.

Urzúa é um estudioso na área de topografia e trabalha com minhas há 31 anos. Conhecido pelos amigos como um líder nato, o mineiro conseguiu conquistar respeito em apenas dois meses de trabalho na mina San José.

Mario Gómez

O homem de 63 anos foi o primeiro a enviar uma carta para as equipes de resgate na superfície da mina. Ao invés de mensagens para familiares, Gómes descreveu as coordenadas de sua posição, o que ajudou nas operações de resgate. Mineiro desde os 12 anos, ele já escapou de vários acidentes, inclusive um que acabou levando parte de três dedos da mão esquerda.

A família, incluindo suas quatro filhas, já não queria mais que o Gómez fosse trabalhar, pois ele estava apto a receber sua aposentadoria.

Mario Sepúlveda

Aos 40 anos, Sepúlveda é considerado o porta-voz do grupo. Ele centraliza, organiza, manda e é respeitado por todos os colegas de trabalho. Diz a esposa Elvira Valdivia: “é um líder nato”. Segundo a imprensa local, o mineiro é caracterizado por ser carismático e inteligente.

Sepúlveda ficou conhecido por fazer o primeiro contato com o presidente do país, e tem se destacado na função de enviar as informações do local. Foi o responsável por protagonizar, como animador, o primeiro vídeo enviado pelos trabalhadores do local, mostrando a rotina de quem já estava preso há mais de duas semanas. Ele tem dois filhos.

Omar Reygada

Omar Reygadas pode se considerar um mineiro experiente. Há 30 anos trabalhando no setor, Reygadas já ficou soterrado em seu local de trabalho por, pelo menos, três oportunidades. “E, em uma delas, nesta mesma mina de San José”, recorda seu filho Omar, de 34 anos, que lembra que ele adora trabalhar nestes locais. Aos 56 anos, Reygadas é viúvo e tem cinco filhos.

Osman Araya

Aos 30 anos e com três filhos, o mineiro conseguiu o emprego com o cunhado Florêncio Ávalos. Quando o acidente aconteceu, Araya estava trabalhando há apenas quatro meses na mina San José. Sua esposa, Angélica Ancalipe, de 21 nos, afirmou que o marido já havia brigado com o gerente da mina, afirmando que não queria arriscar sua vida no trabalho.

Pablo Amadeo Rojas Villacorta

O mês de agosto, quando ocorreu o soterramento da mina, ficará guardado na história de Pablo Amadeo Rojas Villacorta. Uma semana antes de sofrer o acidente, seu pai havia falecido. “Foi neste momento que me dei conta da força que meu pai tem”, conta Mitchell, estudante de medicina e filho de Pablo. Aos 45 anos, Pablo é casado e trabalhava em San José desde abril.

Para a esposa de Pablo, Ximena Marisol Contreras, de 41 anos, ele se mostrou uma nova pessoa depois do soterramento. “Sempre foi tímido e calado. Nos vídeos que nós recebemos, me pareceu mais extrovertido”, explica.

Pedro Cortés

Com 26 anos de idade e uma filha, Cortés é visto pelos amigos como um homem engraçado e alegre. Há um ano, perdeu um dedo após ser obrigado a operar uma máquina sobre a qual não tinha domínio. Seus colegas afirmam que a companhia de mineração resolveu promovê-lo para evitar um escândalo. Cortés é divorciado.

Raúl Bustos

Raúl Bustos escapou com vida de um terremoto que devastou a cidade de Talcahuano. Em fevereiro, a cidade chilena teve seu centro arrasado pelo terremoto que atingiu o país. Além do tremor, a cidade, uma das mais atingidas, sofreu o impacto de ondas de cinco metros criadas pelo terremoto de mais de 8 graus na escala Richter.

Meses depois, o engenheiro hidráulico de 40 anos já estava trabalhando na mina de San José. No dia 5 de agosto, data do acidente, Raúl havia terminado seu horário, mas foi chamado para corrigir uma falha no local, explica sua mãe, Rosa Ibanez, de 59 anos.

Renán Ávalos

Renán Ávalos conseguiu o emprego na mina com a ajuda do irmão Florêncio Ávalos, o jovem capataz da mina. O trabalhador de 29 anos é fã de cavalos, que costumava criar com seu pai em Colliguay. Para aliviar a dor e a ansiedade da espera, seus parentes enviaram vídeos dos animais para alegrá-lo durante o confinamento.

Richard Villarroel

Richard, de 26 anos, é descrito por sua mãe como um aventureiro. Ele saiu de casa para viajar e encontrar um emprego. Antonia Godoy, de 46 anos, não fazia ideia de que seu filho se tornara um mineiro. O jovem dizia trabalhar como mecânico para não preocupar a mãe. O filho do mineiro, Richard Junior, deve nascer em novembro.

Samuel Ávalos

Samuel Ávalos, de 43 anos, tem um histórico complicado. Viciado em álcool e drogas, o trabalhador já disse em uma carta que está pagando pelo mal que fez a todas as pessoas que ama. Ele vive com a mãe de seus três filhos, Ruth Guzmán, de 39 anos, mas os dois nunca pensaram em casamento.

Recentemente, ele enviou uma mensagem perguntando se ela gostaria de uma união oficial. Ruth disse que espera que ele volte como um homem renovado, e que só vai dar a resposta depois de conversarem pessoalmente.

Victor Segovia

Com 48 anos e cinco filhas, Victor Segovia, o responsável pelas sondas de perfuração, faz o registro de todos os acontecimentos desde o dia do acidente. Apesar de exibir calma e serenidade no interior da mina, em uma carta à ex-mulher, Soledad Moreno, Victor afirmou que estava com medo, imaginando sempre o pior. Sua intenção é escrever um livro sobre o desabamento quando sair.

Víctor Zamora

Antes de trabalhar na mina, Victor Zamora, de 33 anos, se dedicava apenas à agricultura. Fã de futebol, conviveu com uma tragédia recentemente. Há dois meses, uma laje caiu sobre seu melhor amigo, que teve de amputar uma das pernas. Zamora saiu do acidente sem sofrer nenhuma escoriação. Para a mãe do mineiro, Nelly Brugeño, esta nova tragédia será um marco na vida do filho. “Tenho certeza que sairá deste local mais maduro, com novas perspectivas de vida”, conta.

Yonny Barrios

O mineiro terá de lidar com uma situação complicada quando sair da mina. Na superfície, duas mulheres começaram a “brigar” pelo homem de 50 anos. Marta Salinas, que foi sua esposa por 28 anos e Susana Valenzuela, com quem mantém um relacionamento há alguns meses. O problema é que Barrios nunca se separou da primeira mulher, o que ajudou a piorar a situação. A briga era para saber quem vai cuidar do dinheiro do trabalhador.

Em um momento de desespero, escreveu a seguinte mensagem: “Quero sair desse buraco. Vivo ou morto”.

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