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As frentes em que governo Delcy e oposição da Venezuela vão unir forças após início de diálogo

Primeiras negociações que visam uma 'transição democrática' ocorrem sob pressão dos EUA, com a líder María Corina Machado de fora

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 ago 2026, 08h56
As frentes em que governo Delcy e oposição da Venezuela vão unir forças após início de diálogo Priorizar nos meus resultados Google

Após as primeiras negociações em prol de uma suposta “transição democrática”, planejada sobretudo pelos Estados Unidos, o governo interino da Venezuela e a oposição anunciaram, na noite de quarta-feira 12, que concordaram se unir em ao menos duas frentes, incluindo os esforços para recuperar as reservas de ouro do país bloqueadas na Inglaterra e para avançar com uma reforma do sistema judicial.

As partes concluíram a primeira rodada de tratativas iniciadas em 6 de agosto, sete meses após a derrubada e captura de Nicolás Maduro em uma operação militar americana. Sob a pressão do governo Donald Trump, a presidente interina, Delcy Rodríguez (que era vice do autocrata), celebrou o diálogo, que continuará em uma data ainda a ser definida.

“Peço a todas as forças políticas que se unam a este diálogo, colocando sempre em primeiro lugar o bem-estar, a paz, a estabilidade e o desenvolvimento da Venezuela”, disse em uma mensagem no aplicativo de mensagens Telegram.

As delegações foram lideradas por Jorge Rodríguez, presidente do Parlamento e irmão de Delcy, bem como por Dinorah Figuera, líder da bancada de oposição que conquistou a maioria na Assembleia Nacional em 2015. Deixada de fora do diálogo, notadamente, estava a líder opositora e prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, hoje exilada no Panamá. Ela garantiu, porém, que não será contrária ao processo.

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Acordos

As partes chegaram a um acordo sobre a transformação do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) e um novo mecanismo de indicação e nomeação de magistrados, segundo uma declaração conjunta lida por Dinorah

A oposição insiste em uma reforma do TSJ, que em 2024 validou a reeleição fraudulenta de Maduro. A mudança na corte é considerada determinante para que sejam convocadas eleições no futuro.

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Jorge Rodríguez, por sua vez, afirmou que “as partes unirão esforços para promover a recuperação dos ativos das reservas internacionais da Venezuela no Banco da Inglaterra”. Desde 2019, a oposição iniciou um processo para impedir que o governo deposto tivesse acesso a estes fundos.

Há algumas semanas, Delcy já havia pedido ao rei Charles III, por meio de uma carta, a liberação do ouro das reservas internacionais depositado no Banco da Inglaterra para a resposta de emergência ao duplo terremoto que atingiu o país em 24 de junho e deixou mais de 6.300 mortos.

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Os lingotes de ouro depositados por Caracas na instituição financeira são avaliados em US$ 1,9 bilhão (cerca de R$ 9,85 bilhões, na cotação atual), dos quais não pode dispor por decisão do Reino Unido — que também não reconheceu a reeleição de Maduro.

Uma opositora que acompanha as negociações e pediu anonimato disse à agência de notícias AFP que “há comunicação direta entre as delegações e os Estados Unidos, e quando há algum tema especialmente sensível, a mediação é acionada”. Ela acrescentou que a oposição não é ingênua em relação ao governo, apesar de sua “mudança de atitude”.

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