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As 26 vítimas das manifestações na Venezuela foram mortas a bala

ONU estima que mais de 325 venezuelanos foram feridos pelas forças de segurança durante os protestos de quarta-feira

O Observatório Venezuelano de Conflito Social (OVCS) informou nesta sexta-feira, 25, que foram provocadas por tiros de armas de fogo as 26 mortes ocorridas durante as manifestações contra o governo de Nicolás Maduro. As vítimas — 24 homens e duas mulheres — tinham idades entre 18 e 47 anos. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que mais de 350 pessoas foram detidas na Venezuela nesta semana, das quais 325 durante os protestos de quarta-feira 23.

Segundo a ONG, seis das 26 pessoas desse grupo foram mortas em cenários violentos — saques e tentativas de violar propriedades privadas. As outras vinte estavam participando pacificamente das manifestações. Sete das mortes ocorreram na capital da Venezuela, Caracas. As demais foram registradas nos estados de Bolívar (5), Táchira (3), Barinas (3), Portuguesa (3), Amazonas (2), Monagas (2) e Yaracuy (1).

“Todos foram baleados”, destacou o Observatório.

A Alta Comissária de Direitos Humanos da ONU, a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, afirmou esperar investigação ampla, imparcial e imediata das autoridades svenezuelanas obre as mortes e feridos registrados. Para ela, todos os lados precisam agir para desfazer a “atmosfera cada vez mais incendiária”.

“Estou muito preocupada com a situação na Venezuela, que pode rapidamente sair do controle com consequências catastróficas”, disse.

Seu temor é de que a violência que se registrou durante os protestos de 2017 volte a ocorrer, incluindo execuções sumárias, detenções arbitrárias em massa, repressão e ataques. Bachelet pediu que as autoridades venezuelanas, em especial as forças de fegurança, atuem com cautela para respeitar a liberdade expressão e lembrou que o uso desproporcional de violência é proibido pelo direito internacional.

Para Bachelet, os líderes políticos do país precisam “iniciar imediatamente” um dialogo para impedir que a situação se transforme em uma nova onda de violência. A proposta de negociação foi apresentada a Maduro pelos governos do México e do Uruguai. Ela apelou ainda para que Maduro não recorra à prisão de líderes políticos e sociais.

“Três milhões de venezuelanas fugiram do país, outros milhões vivem em condições totalmente miseráveis. O que mais é preciso para que a liderança política coloque as pessoas em primeiro lugar, e não seus interesses?”, questionou.

(Com EFE e Estadão Conteúdo)