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Armênia agradece Paris por reconhecimento de genocídio

Presidente armênio emitiu nota de agradecimento a Sarkozy. Projeto aprovado por deputados franceses que reconhece abuso turco será apreciado no Senado

O presidente da Armênia, Serzh Sargsyan, emitiu nesta sexta-feira nota endereçada ao colega francês Nicolas Sarkozy em que agradece a aprovação, pelo Parlamento da França, de um projeto de lei que penaliza a negação do genocídio armênio ocorrido no início do século XX. Sargsyan destacou o “compromisso da França com os valores humanos”, acrescentando que a iniciativa é uma prova da amizade entre os dois países.

Entenda o caso

  1. • Os deputados franceses aprovaram uma lei que pune com um ano de prisão e multa de 45.000 euros qualquer pessoa que negar a existência do ‘genocídio armênio’.
  2. • Os armênios afirmam que 1,5 milhão de pessoas foram assassinadas em 1915, durante I Guerra, na região do leste da Turquia; outros milhares foram deportados. Eles eram considerados inimigos e acusados de se aliarem com a Rússia.
  3. • O governo turco reconhece que cerca de 500.000 armênios morreram em combates e durante sua deportação, mas nega que as mortes tenham sido intencionais.


Um dia após a aprovação da medida, que levou à suspensão da cooperação política e militar da Turquia com a França, o presidente turco, Abdullah Gül, também se manifestou em um comunicado oficial. Em nota, Gül pediu que os franceses não se intrometam nos assuntos de seu país e deixem “a escritura da história para os historiadores”. O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, acusou ainda a França de ter cometido o genocídio na Argélia durante a ocupação colonial do país norte-africano.

Também nesta sexta-feira, em meio à crise diplomática, o embaixador da Turquia na França, Tahsin Burcuoglu, foi convocado de volta a Ancara, segundo informou um porta-voz da embaixada. Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores francês, Alain Juppé, havia pedido “sangue frio” e “comedimento” no embate diplomático entre Ancara e Paris.

Juppé qualificou as declarações de Ergodan de “excessivas” e ressaltou que há razões para manter relações de confiança e “inclusive de amizade”. É a segunda que vez que o chefe da diplomacia francesa tenta acalmar os ânimos desde que Ergodan anunciou, na quinta-feira, a suspensão das relações políticas e militares com a França.

Divergências – O governo turco interpreta a lei, que ainda terá que passar pelo Senado francês antes de entrar em vigor, como um ato hostil à Turquia. Oficialmente, os turcos, consideram o massacre de armênios como um episódio lamentável de excessos ocorridos na I Guerra Mundial. Contudo, Ancara não reconhece o ocorrido como genocídio. Atualmente, 350.000 cidadãos turcos vivem na França, dos quais 2.000 são estudantes, segundo dados do Ministério das Relações Exteriores.

Na Turquia, há cerca de 1.000 empresas francesas, que somam 100.000 postos de trabalho, acrescentou um porta-voz da diplomacia francesa. Ele lembrou ainda que os investimentos no outro país foram de 11 bilhões de dólares em 2010. Segundo as previsões da França, o comércio bilateral entre as duas nações deve alcançar 12 bilhões de euros em 2011.