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Argentina reclamará na ONU por ‘militarização’ nas Malvinas

Cristina Kirchner quer colocar o conflito na esfera da comunidade internacional

Por Da Redação - 7 fev 2012, 20h12

A tensão diplomática entre Argentina e Grã-Bretanha devido à disputa pelas Ilhas Malvinas voltou a crescer nesta terça-feira. Em um pronunciamento na Casa Rosada, transmitido em cadeia de rádio e TV, a presidente Cristina Kirchner anunicou que o país vai apresentar ao Conselho de Segurança e à Assembleia Geral da ONU uma queixa formal contra o que a chefe de estado argentina chamou de “militarização” do arquipélago pela rival.

Entenda o caso

  1. • As Ilhas Malvinas – Falkland, em inglês – ficam a cerca de 500 quilômetros do litoral argentino, mas são administradas e ocupadas pela Grã-Bretanha desde 1883.
  2. • O arquipélago sempre foi motivo de tensão entre os dois países, até que em 1982 o ditador argentino Leopoldo Galtieri comandou uma invasão ao território.
  3. • O governo britânico reagiu rapidamente, enviando às ilhas uma tropa quase três vezes maior do que à da Argentina, que se rendeu dois meses depois.
  4. • Na guerra morreram 255 militares britânicos e mais de 650 argentinos.

Na semana passada, o governo britânico deslocou um navio de guerra para as Malvinas e enviou o príncipe William às ilhas em missão militar. Em seu discurso, Cristina procurou retirar o conflito entre Argentina e Grã-Bretanha da esfera bilateral, transferindo a questão para o âmbito da comunidade internacional. “As Malvinas deixaram de ser uma causa dos argentinos para se tornar uma causa global”, afirmou.

“Instruí nosso chanceler (Héctor Timermann) para que apresente ao Conselho de Segurança da ONU e à Assembleia Geral que essa militarização do Atlântico Sul implica grave risco para a paz internacional”, disse a presidente diante de integrantes do governo, membros da oposição, sindicalistas e empresários.

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“Estão querendo militarizar o Atlântico Sul uma vez mais, não podemos interpretar de nenhuma outra maneira”, Cristina acusou o governo britânico. “Não podemos interpretar de nenhuma outra maneira o envio de um ‘destruidor’ (navio do tipo destroyer), acompanhado do herdeiro real vestido de uniforme militar e não roupas civis”, ela completou, antes de criticar a Grã-Bretanha por ostentar as Malvinas como “prêmio”. “Nenhum lugar pode ser um troféu de guerra”, disse a presidente em referência ao conflito armado de 1982 entre os dois países.

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Diplomacia – Buscando criar um contraste com o primeiro-ministro britânico David Cameron, que ordenou o envio do navio Dauntless às ilhas, a líder argentina ressaltou que pretende usar a via diplomática para discutir a questão da soberania, reinvidicada pelos argentinos desde 1833, quando a Grã-Bretanha assumiu o controle das Malvinas.

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“Que ninguém espere de nós agir fora da política e da diplomacia, que não haja nenhuma ilusão quanto a isso”, afirmou Cristina, que ainda comparou o atual período com o regime militar na Argentina. “Somos pessoas que sofremos muito a violência em nosso país. Não nos atrai a guerra”, disse a presidente, que ainda pediu a Cameron que “dê uma chance à paz” – uma alusão à canção Give Peace a Chance, de John Lennon.

Relatório – No discurso desta terça-feira, Cristina Kirchner também anunciou a publicação de um relatório secreto sobre a atuação do regime militar argentino durante a Guerra das Malvinas. O chamado Relatório Rattenbach será analisado por uma comissão integrada pelo Ministério da Defesa e das Relações Exteriores.

Em 30 dias, de acordo com a presidente, os participantes determinarão se algum conteúdo do documento não deve ser revelado para não comprometer a segurança interna, a defesa ou as relações externas da Argentina. O relatório foi elaborado em 1982 pelo tenente-general Benjamín Rattenbach, a partir da investigação e análise do desempenho e responsabilidades da condução política e militar do conflito. Em novembro de 1983, o documento foi classificado como secreto pela então ditadura argentina.

Nos últimos anos, a Argentina tem procurado recolocar o tema da soberania sobre as Malvinas na agenda internacional. O apoio explícito ao país aumentou entre as nações latino-americanas no ano passado. Em dezembro, a Casa Rosada obteve a ratificação dos demais países do Mercosul – Brasil, Paraguai e Uruguai – a uma resolução que impede a entrada em seus portos de navios com bandeira das Malvinas.

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Desde então, o país sul-americano tem travado uma guerra de palavras com a Grã-Bretanha, que já afirmou que não está disposta a discutir sua soberania sobre as ilhas. Desde a década de 1960, existem resoluções das Nações Unidas que pedem a ambos países que negociem o tema.

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