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Argelino é o novo mediador da ONU para a Síria

Lakhdar Brahimi pediu apoio do Conselho de Segurança da ONU para substituir Kofi Annan. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu apoio internacional

O ex-ministro das Relações Exteriores da Argélia, Lakhdar Brahimi, de 78 anos, foi nomeado mediador internacional para a Síria, confirmou a ONU nesta sexta-feira. O secretário-geral, Ban Ki-moon, pediu um apoio internacional “forte, claro e unificado” para Brahimi, ao anunciar sua nomeação em um comunicado. Ele sucede o ex-secretário-geral Kofi Annan, que não obteve sucesso na função.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março de 2011 para protestar contra o regime de Bashar Assad.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança, que já mataram milhares de pessoas no país.
  3. • A ONU alerta que a situação humanitária é crítica e investiga denúncias de crimes contra a humanidade por parte do regime.

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O governo sírio já deu seu aval a Brahimi, revelou nesta terça-feira Ahmad Fawzi, porta-voz de Annan. “Brahimi quer um compromisso por parte do Conselho de Segurança”, disse um diplomata. “Ele considera isso crucial para ter alguma possibilidade de sucesso” como enviado à Síria. China e Rússia, aliados do regime sírio, já vetaram três resoluções do Conselho de Segurança visando pressionar o ditador Bashar Assad a deter sua repressão.

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O mediador anterior, Kofi Annan, renunciou à missão na Síria em 2 de agosto, por estimar que as grandes potências do Conselho de Segurança não lhe deram o apoio suficiente. O cargo será entregue no próximo dia 31. Annan se queixou repetidamente das divisões no Conselho de Segurança e Brahimi disse na sexta-feira passada que a organização e os vizinhos da Síria “devem se unir para garantir uma transição política o mais cedo possível”.

Diplomacia – A Rússia cancelou a reunião planejada para esta sexta-feira em pretendia formar um grupo internacional sobre a Síria, depois que vários países ocidentais assinalaram sua intenção de não participar no encontro. O governo russo afirmou que o encontro foi adiado. No entanto, diplomatas afirmaram que Estados Unidos, França e Grã-Bretanha manifestaram aos russos que não iriam participar. Somente a China e um representante da ONU confirmaram presença. A proposta da Rússia para a Síria provocou mal-estar em várias delegações do Conselho de Segurança da ONU, que se sentiram excluídas da reunião e recriminaram Moscou por tentar atuar fora do órgão.

Os Estados Unidos têm solicitado à Rússia, principal aliada do ditador Bashar Assad, que faça mais para deter a violência na Síria, onde mais de 23 mil morreram nos últimos 18 meses, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). Moscou acusa Washington de prolongar o conflito com seu apoio à oposição.

Ajuda humanitária – O Programa Mundial de Alimentos (PMA) informou nesta sexta-feira que conseguiu levar alimento para 40 mil pessoas na cidade síria de Aleppo. “Cada vez que os enfrentamentos param, aproveitamos para rapidamente distribuir a ajuda”, explicou Elizabeth Byrs, porta-voz do PMA.

Refugiados – O porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), Adrien Edwards, informou que entre terça-feira e quarta-feira 3.500 pessoas fugiram da Síria pela fronteira do país com a Turquia, em sua maioria procedentes da região de Aleppo. Outras 2.680 foram para a Jordânia. Esta nova onda de deslocamentos deixa o número de refugiados sírios na Turquia em torno dos 65 mil, segundo o porta-voz do Acnur, quem explicou que 40% deles chegaram no país durante agosto.

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(Com agências EFE e France-Presse)