Arábia Saudita, Turquia e Paquistão fecham pacto de defesa mútua em meio a ataques do Irã
Pacto estipula que um ataque armado contra qualquer um dos três países será considerado uma ofensiva contra todos
Arábia Saudita, Paquistão e Turquia assinaram nesta sexta-feira, 7, um acordo de defesa conjunta na cidade saudita de Meca. O pacto une três países aliados dos Estados Unidos em uma tentativa de conter os ataques iranianos contra o reino sunita, que virou alvo tanto de Teerã quanto de grupos armados financiados pelo regime dos aiatolás no Oriente Médio.
O vice-presidente turco, Cevdet Yilmaz, explicou, porém, que o pacto não põe na mira nenhum país específico. Um funcionário do governo turco acrescentou que se trata de uma medida puramente defensiva, que não revoga nenhum acordo existente entre os países.
Rayed Krimly, vice-ministro saudita para diplomacia pública, também ressaltou em uma publicação nas redes sociais que a aliança não representa uma tentativa de estabelecer um eixo militar. “E também não está ligado a quaisquer ambições nucleares ou corrida armamentista”, esclareceu.
O pacto foi assinado pelo príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman (o MBS), pelo presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e pelo primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, e é o resultado de quase um ano de negociações.
União de potências regionais
Em entrevista à agência de notícias Reuters, Abdulaziz Sager, presidente do think tank Gulf Research Center, afirmou que a união de três dos Estados mais influentes do mundo muçulmano, em especial num contexto de grande incerteza, “demonstra uma crescente disposição entre as potências regionais e médias de se coordenarem mais estreitamente em questões de segurança”.
“A estrutura trilateral pode fortalecer o peso diplomático e de defesa coletiva dos três países, ao mesmo tempo em que contribui para o surgimento de uma arquitetura de segurança mais orientada para a região”, acrescentou o especialista.
A Turquia possui o segundo maior exército da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A Arábia Saudita abriga os locais mais sagrados do Islã e é um dos maiores exportadores de petróleo do mundo. Já o Paquistão é o único país muçulmano com armas nucleares.
Laços militares reforçados
O Paquistão tem fornecido treinamento e assistência técnica às forças sauditas há décadas. Em maio deste ano, cerca de 8 mil soldados paquistaneses foram enviados à Arábia Saudita, assim como caças, drones, e um sistema de defesa aérea. A Turquia também tem trocado navios de guerra e aeronaves de treinamento com o Exército paquistanês, enquanto Riad é uma das principais compradoras de drones de Ancara.
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Resta ver como o pacto se concretiza na prática. Islamabad já havia firmado um pacto de defesa mútua com os sauditas no ano passado, mas não respondeu militarmente aos ataques do Irã contra o reino. Os paquistaneses também não quiseram estender sua defesa nuclear aos aliados e disseram que armas atômicas não estavam em seus planos quando fecharam o acordo com a Arábia Saudita.
Ataques constantes
O Irã e seus aliados têm bombardeado a Arábia Saudita e outros estados do Golfo, além de bloquear o Estreito de Ormuz, rota importante para os exportadores de petróleo. O conflito começou depois que os Estados Unidos e Israel atacaram a república islâmica no dia 28 de fevereiro.
Desde o início da guerra, Teerã tem atacado bases militares americanas na Arábia Saudita, Kuwait, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Omã e Jordânia. Embora a Turquia e o Paquistão não tenham sofrido ataques diretos durante a guerra, os dois países querem apaziguar o conflito, que ameaça a segurança da região a longo prazo.







