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Arábia Saudita rejeita e condena posição americana sobre Golã

Anexação do território por Israel nunca foi reconhecida pela ONU; países árabes temem aumento da tensão na região após decisão dos EUA

Por Da Redação - Atualizado em 26 mar 2019, 18h29 - Publicado em 26 mar 2019, 09h26

A Arábia Saudita rejeitou a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de reconhecer a anexação israelense das Colinas de Golã.

“A Arábia Saudita expressa sua firme rejeição e condenação à declaração da administração americana de que reconhece a soberania de Israel sobre as Colinas de Golã sírias ocupadas”, diz um comunicado publicado pela agência de notícias oficial saudita SPA. “Golã continua sendo uma terra árabe síria ocupada e reconhecê-la como israelense é uma violação da Carta das Nações Unidas”.

A decisão “terá efeitos negativos no processo de paz no Oriente Médio, assim como na segurança e estabilidade da região”, destaca ainda a nota oficial.

Israel conquistou grande parte do Golã sírio (1.200 quilômetros quadrados) durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e anexou a área em 1981. A anexação nunca foi reconhecida pela ONU.

Ainda assim, os Estados Unidos assinaram uma declaração na segunda-feira 25 reconhecendo a soberania de Israel sobre o território. O presidente Donald Trump aproveitou a visita do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu para anunciar a decisão.

A Liga Árabe e os governos do Bahrein, do Líbano, da Jordânia, da Turquia além da própria Síria, também reagiram à posição americana.

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O Ministério de Exteriores bareinita “lamentou” a decisão de Trump e expressou “sua firme posição” de que o Golã é “território árabe sírio ocupado por Israel” na guerra de junho de 1967.

O presidente do Líbano, Michel Aoun, afirmou que Donald Trump não tem direito de dispor de territórios alheios. Em sua primeira visita oficial à Rússia, o líder advertiu também que a decisão americana pode gerar uma “escalada do descontentamento social, sem falar que ações como esta entram em contradição com o direito internacional e com as resoluções do Conselho de Segurança da ONU”.

“De fato, hoje a situação do Oriente Médio é refém do estado das relações entre Rússia e Estados Unidos”, disse Aoun, que hoje ainda se reunirá com o presidente russo, Vladimir Putin.

A Síria denunciou o “ataque flagrante” à sua soberania, enquanto que o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu, criticou Trump por dar “virtualmente um presente eleitoral” a Netanyahu.

O porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, afirmou nesta segunda que o status legal das Colinas de Golã permanece inalterado para as Nações Unidas após a decisão do presidente dos Estados Unidos.

“Para o secretário-geral (António Guterres), está claro que o status de Golã não mudou. A política da ONU em relação a Golã procede das resoluções aprovadas pelo Conselho de Segurança e esta política, novamente, não mudou”, disse Dujarric durante entrevista coletiva.

(Com AFP e EFE)

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