Arábia Saudita planeja ofensiva militar contra hutis no Iêmen, diz jornal
Segundo britânico The Guardian, Riad avalia operações navais e uma possível incursão terrestre para romper bloqueio no Mar Vermelho
A Arábia Saudita prepara uma ofensiva militar contra rebeldes hutis no Iêmen, que pode combinar ataques pelo mar e uma eventual incursão terrestre, segundo informações publicadas nesta quinta-feira, 30, pelo jornal britânico The Guardian. O objetivo é romper o bloqueio imposto pelo grupo ao estreito de Bab el-Mandeb, corredor estratégico que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e por onde passa parte significativa das exportações sauditas de petróleo.
De acordo com o jornal, fontes iemenitas afirmam que tropas sauditas foram retiradas do leste do Iêmen nas últimas semanas, em um movimento interpretado como preparação para uma possível operação terrestre. A província de Al-Bayda, controlada pelos hutis desde 2021, é apontada como um dos principais alvos de uma eventual ofensiva.
Enquanto reorganiza suas forças, Riad também tenta montar uma coalizão internacional para proteger a navegação comercial no Mar Vermelho. Nesta quinta-feira, o Ministério da Defesa saudita informou que 14 países, entre eles Turquia, Paquistão, Egito, Sudão e Djibuti, apoiaram a criação de uma força multinacional de segurança marítima. A Arábia Saudita também busca o apoio dos Estados Unidos e de países europeus, como Alemanha, França, Reino Unido e Itália.
A iniciativa é uma resposta à decisão dos hutis de bloquear, desde 20 de julho, embarcações sauditas que cruzam o estreito de Bab el-Mandeb. O grupo, alinhado ao Irã, afirma que a medida permanecerá em vigor até que Riad suspenda o bloqueio imposto ao Iêmen, tentando enquadrar a disputa como parte da guerra civil iemenita, e não diretamente do confronto entre Teerã e Washington.
A retomada das hostilidades encerra uma trégua informal que vigorava desde 2022. Em 14 de julho, a Arábia Saudita bombardeou o aeroporto internacional de Sanaa, capital controlada pelos hutis, reacendendo um conflito iniciado em 2015, quando Riad interveio militarmente em apoio ao governo iemenita reconhecido pela ONU. Desde então, os ataques entre os dois lados se intensificaram.
Nas últimas semanas, os hutis lançaram drones e mísseis contra petroleiros, cidades portuárias sauditas como Jizan e Yanbu e instalações da Saudi Aramco, principal empresa petrolífera do reino. Em resposta, a Arábia Saudita ampliou os bombardeios contra posições rebeldes na cidade portuária de Hodeida e realizou ataques aéreos contra alvos no Iraque, alegando responder a ações de milícias apoiadas pelo Irã.
Antes da guerra entre Irã e Estados Unidos, cerca de 80% do petróleo bruto do país passava pelo Estreito de Ormuz. Com a insegurança na região, o Mar Vermelho ganhou importância, e mais da metade da produção passou a ser transportada por oleodutos até o porto de Yanbu.






