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Arábia Saudita expulsa diplomata canadense e convoca enviado a Ottawa

A decisão é uma resposta a declarações do Ministério das Relações Exteriores do Canadá contra a prisão da ativista pelos direito das mulheres Samar Badawi

A Arábia Saudita expulsou o embaixador canadense no país, convocou seu enviado no Canadá e congelou todos os novos acordos comerciais e de investimento entre as duas nações. A medida foi uma reação às críticas do Ministério das Relações Exteriores canadense às “violações dos direitos humanos” no reino islâmico.

Em um comunicado divulgado nesta segunda-feira, 6, o Ministério de Relações Exteriores saudita disse que o embaixador canadense em Riad, Dennis Horak, deve deixar o país “nas próximas 24 horas”. O embaixador saudita em Ottawa também terá o mesmo prazo.

“O Reino vê a posição canadense como uma afronta (…) que exige uma resposta firme para evitar que qualquer parte tente intrometer-se com a soberania saudita”, diz trecho do comunicado.

O episódio surgiu após uma série de postagens feitas pelo Ministério das Relações Exteriores do Canadá, na semana passada, exigindo que as autoridades sauditas “libertem imediatamente” ativistas de direitos civis. A demanda de Ottawa inclui Samar Badawi, uma saudita conhecida por lutar pelos direitos das mulheres no país, e seu irmão, Raif, que está preso desde 2012 e foi condenado a 1.000 chicotadas

Forte aliado da Arábia Saudita, o governo do Bahrein informou ter apoiado a medida saudita em um comunicado divulgado hoje. Seu Ministério das Relações Exteriores criticou o que chamou de “intervenção inaceitável nos assuntos internos do Reino da Arábia Saudita”, segundo a agência oficial de notícias do Bahrein.

De acordo com a ONG Human Rights Watch, Badawi foi presa na última quarta-feira (1) como parte de um “ataque sem precedentes do governo ao movimento de direito das mulheres”. As prisões começaram em 15 de maio e resultaram em “mais de uma dúzia de ativistas detidas”. 

A ministra do Exterior canadense, Chrystia Freeland, disse em uma publicação no Twitter estar “muito alarmada” em relação à prisão da ativista e afirmou que o “Canada está com a família Badawi”.

A Arábia Saudita é um país governado por uma interpretação estrita do islamismo sunita. Só recentemente, em junho deste ano, as mulheres receberam o direito de dirigir veículos, sendo ainda obrigadas a obter a aprovação de um tutor do sexo masculino para a maioria das atividades básicas.

A ex-primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, e a ex-secretária de Estado americana, Hillary Clinton, presentearam Badawi com o Prêmio Internacional das Mulheres da Coragem dos Estados Unidos em 2012 por seu trabalho na defesa dos direitos das mulheres.

Badawi já havia cumprido sete meses de prisão em 2010 por desobedecer ao seu pai, que ela disse ter abusado fisicamente dela aos 14 anos, depois que sua mãe morreu de câncer.