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Arábia Saudita apoiará Mubarak caso EUA o abandone

O rei Abdullah teria pedido a Obama que não humilhe o presidente egípcio e disse que ajudará o país financeiramente se Washington cortar os US$ 1,5 bi

Por Da Redação 10 fev 2011, 08h45

“Com o Egito imerso no caos, o reino saudita é o único aliado importante de Washington no mundo árabe e os sauditas querem que os americanos não se esqueçam disso”, disse uma fonte ao jornal The Times

Se os Estados Unidos tentarem forçar uma rápida mudança de regime no Egito – como ensaiou fazer na quarta-feira, quando pediu reformas no país – o presidente Hosni Mubarak não ficará abandonado. A Arábia Saudita, aliada mais próxima dos americanos no Golfo, já se ofereceu para apoiar economicamente o ditador caso isso aconteça, informou nesta quinta-feira o jornal The Times. No dia 20 de janeiro, o rei Abdullah pediu por telefone ao presidente Barack Obama que não humilhe Mubarak, e adiantou que a Arábia Saudita estaria disposta a apoiar o Cairo caso Washington colocasse fim à ajuda de 1,5 bilhões de dólares que destina por ano ao país.

Segundo a publicação, quatro dias após os egípcios tomarem as ruas do país em protestos anti-Mubarak, a Arábia Saudita pediu ao governo americano que deixasse o presidente egípcio presidir o processo de transição pacífica à democracia e permitisse que ele deixasse o cargo com dignidade. “Mubarak e o rei Abdullah não são apenas aliados, mas amigos íntimos, e o rei não vai permitir que humilhem seu amigo”, disse ao The Times uma importante fonte saudita.

O jornal britânico ainda afirma ter confirmado com duas fontes o conteúdo do pedido feito pelo monarca. A linha dura adotada por Riad neste tema, assinala a publicação, responde à preocupação saudita para a prontidão com que os governos ocidentais parecem querer se livrar de Mubarak sem levar em conta o que pode acontecer depois. “Com o Egito imerso no caos, o reino saudita é o único aliado importante de Washington no mundo árabe e os sauditas querem que os americanos não se esqueçam disso”, disse outra fonte.

O Egito é o quarto maior receptor de ajuda dos Estados Unidos, depois de Afeganistão, Paquistão e Israel, e a maior parte desse dinheiro vai para as Forças Armadas. A Arábia Saudita teme cada vez mais o Irã e seus aliados do Hamas e Hezbollah, e o final do regime de Mubarak significaria a eliminação não só de um importante aliado – tanto americano quanto saudita -, mas de uma base contra o expansionismo iraniano, diz o The Times.

Manifestações – Mas a tensão espalhada pelas ruas do Egito permanece inalterada neste 17º dia de protestos pela saída de Mubarak. Os manifestantes seguem mobilizados na Praça Tahrir, no Cairo, apesar da ameaça do governo de recorrer ao Exército em caso de caos. Motoristas de ônibus e trabalhadores do transporte público aproveitaram a insatisfação generalizada para entrar em greve nesta quinta-feira, pedindo reajuste salarial. Segundo Ali Fatouh, motorista de ônibus, os organizadores da greve estão convocando 62.000 profissionais da categoria a participar.

Nesta quinta-feira também, novas barracas foram instaladas na praça que virou o símbolo da revolta iniciada em 25 de janeiro e é ocupada desde o dia 28 do último mês. Os tanques do Exército permanecem posicionados nas proximidades do Museu Egípcio, perto da praça. Durante a madrugada, foram ouvidos gritos de “o povo quer a queda do regime”, frase que resume os protestos contra o ditador, que está no poder há quase 30 anos. Muitos exibiam fotos dos “mártires”, as vítimas da violência que já matou 300 pessoas desde o início do movimento, segundo a ONU e a ONG Human Rights Watch.

(Com agências EFE e France-Presse)

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