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Arábia Saudita ameaça indiciar ativistas que apoiam direito de mulheres dirigirem

Ativistas estão organizando pela internet o “dia de mulheres ao volante” previsto para ocorrer neste sábado

O governo da Arábia Saudita advertiu nesta sexta-feira que pode indiciar os ciberativistas que estão convocando um protesto a favor do direito das mulheres do reino de dirigir veículos. O país é o único do mundo que impõem tal proibição. Segundo o jornal saudita Al-Hayat , o porta-voz do Ministério do Interior do país, Turki al-Faisal, disse que os ativistas podem ser enquadrados em leis que proíbem atos de dissidência política na internet. Na monarquia autoritária vigente no país, atos enquadrados nessas leis podem render cinco anos de prisão, de acordo com a rede Al Jazeera.

O protesto está previsto para ocorrer neste sábado, dia 26. Como manifestações com multidões são proibidas na Arábia Saudita, os organizadores da campanha na internet estão incentivando as mulheres do reino a saírem dirigindo por um dia pelas ruas e estradas para desafiar a restrição. Atos semelhantes já foram convocados nos últimos anos, e resultaram na prisão de mulheres e na imposição de multas para os maridos. Em 2011, uma mulher chegou a ser sentenciada a dez golpes de chibata por desafiar a proibição – a pena depois foi suspensa. Naquele ano, integrantes da Majlis al-Ifta’ al-A’ala, o mais alto conselho religioso do país, afirmaram que o fim da restrição provocaria um surto de “prostituição, pornografia, homossexualidade e divórcio” no país.

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Apesar da proibição não estar estabelecida em nenhuma lei oficial, um decreto religioso emitido em 1990 pelo clero islâmico que rege os costumes no reino tornou impossível para as mulheres sauditas conseguirem uma carteira de motorista. Como a Arábia Saudita não possui uma rede de transporte público eficiente, as mulheres acabam dependendo dos homens para poder se deslocar.

Na quarta-feira, um grupo de opositores do direito das mulheres de dirigir – formado, é claro, por homens – foi à sede do Gabinete Real, na cidade saudita de Jidá, para manifestar rejeição à campanha. Um membro do Conselho da Shura (de caráter consultivo e sem poder de decisão no governo), Ibrahim Abu Eba, classificou a iniciativa de “ameaça à estabilidade, à segurança e ao governo”. Após a manifestação, o Ministério do Interior divulgou que tomaria providências contra quem “perturbasse a paz” sob “o pretexto de incentivar um dia de mulheres ao volante”.

Em meio à aproximação da data, a Anistia Internacional pediu para que o governo saudita respeite o direito das mulheres de dirigir. “Eu fico espantando que em pleno século 21 as autoridades sauditas ainda continuem a negar o direito de mulheres dirigirem legalmente um veículo”, disse Philip Luther, diretor da anistia para o Oriente Médio e África.