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Apuração termina com vitória de sindicalista Pedro Castillo no Peru

Fim da contagem, todavia, não elucida aos peruanos quem será próximo presidente, à medida ainda é preciso aguardar decisão judicial sobre atas contestadas

Por Da Redação Atualizado em 10 jun 2021, 20h00 - Publicado em 10 jun 2021, 19h55

A apuração das eleições presidenciais do Peru terminou nesta quinta-feira, 10, com a vitória do sindicalista Pedro Castillo, com 50,19% dos votos, contra 49,8% de Keiko Fujimori. O fim da contagem, no entanto, não elucida aos peruanos quem será o próximo presidente, à medida que o país ainda aguarda uma decisão da Justiça Eleitoral por atas contestadas por Keiko.

Na quarta-feira, Keiko pediu às autoridades eleitorais que sejam anuladas 802 urnas – o que corresponde a cerca de 200.000 votos – em meio a acusações de irregularidades e “fraude” no segundo turno do pleito presidencial realizado no último domingo no país.

Por sua vez, o órgão responsável pela fiscalização das eleições peruanas, o Júri Nacional de Eleições, informou que a Missão de Observadores da União Interamericana de Órgãos Eleitorais já apresentou um relatório no qual conclui que a contagem dos votos ocorreu de modo regular. A mesma conclusão foi feita pela Missão de Observação Eleitoral da OEA (Organização dos Estados Americanos).

“Estas 802 urnas representam 200.000 votos, que quando foram admitidos devem ser retirados da contagem nacional”, disse a política de direita. “Se acrescentarmos as 802 urnas nas quais foram apresentados pedidos de anulação e que representam cerca de 200.000 votos, e acrescentarmos 300.000 votos (de outras urnas que estão sob análise), ainda há 500.000 votos em jogo em nível nacional”, ressaltou a filha do ex-presidente Alberto Fujimori em entrevista coletiva.

Além disso, complicando ainda mais o cenário Keiko foi alvo de um pedido de prisão preventiva nesta quarta-feira. O procurador José Domingo Pérez, integrante da força-tarefa da versão peruana da Lava Jato, alega que Keiko violou uma regra de sua condicional – a que veta encontros com testemunhas do caso – quando concedeu ontem outra entrevista ao lado do advogado Miguel Torres, que se ofereceu para testemunhar a favor dela no passado.

Pérez pediu em março de 2020 uma pena de 30 anos e 10 meses de prisão contra Keiko por lavagem de dinheiro, crime organizado, obstrução à justiça e falso testemunho em processo administrativo em em um caso no qual é acusada de ter recebido ilegalmente dinheiro da construtora Odebrecht em suas campanhas presidenciais de 2011 e 2016.

O procedimento de revisão dos votos contestados, comum nas eleições no Peru, pode durar até dez dias. Ainda assim, o clima é de espera entre apoiadores de Castillo, que antes mesmo do fim da apuração já havia se declarado vencedor, dizendo que a vantagem sobre Keiko era irreversível. 

O novo presidente tomará posse no dia 28 de julho, dia em que o Peru completará 200 anos de independência, e herdará uma cadeira presidencial marcada por escândalos. Todos os que se sentaram desde 1985 acabaram sendo processados ou presos, com exceção dos presidentes interinos Valentín Paniagua (2000-2001) e Francisco Sagasti (2020-2021). O mais conhecido entre esses ex-presidentes é justamente Fujimori.

Desde 2016, outros quatro presidentes foram processados dentro da versão peruana da operação Lava Jato e que também envolve a construtora brasileira Odebrecht e o pagamento de propinas a autoridades. Os ex-presidentes Alejandro Toledo (2001-2006), Alan García (1985-1990 e 2006-2011), Ollanta Humala (2011-2016) e Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018) foram alvos da Justiça.

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