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Após vazamentos do Telegram, porto-riquenhos exigem renúncia de governador

Conversas divulgadas entre Ricardo Rosselló e políticos aliados foram o estopim dos protestos que pedem sua renúncia

Milhares de pessoas exigiram na noite de segunda-feira 15 a renúncia do governador de Porto Rico, Ricardo Rosselló, respondendo à convocação de artistas como Ricky Martin e Bad Bunny, depois da publicação pelo site Centro de Jornalismo Investigativo (CPI) de diálogos dentro do aplicativo de mensagens Telegram entre Roselló e políticos próximos.

Os protestos, que também são impulsionados pelo descontentamento da população tanto pela crise financeira no país quanto pela condução da crise no país após a passagem do furacão Maria em 2017, que deixou 4645 mortos na ilha, acabaram em confronto com a polícia.

Os manifestantes receberam gás lacrimogêneo e balas de borracha enquanto depredavam a residência oficial do governador. Um incêndio também foi reportado perto do local.

Apesar das manifestações populares, o governador Ricardo Rosselló não cancelou sua agenda na segunda-feira e manteve as reuniões que já estavam previstas. Também anunciou que, nos próximos dias, apresentará um pacote de medidas anticorrupção.

Nas mensagens trocadas através do Telegram, Rosselló e outras 12 pessoas conversavam sobre como se articular perante a opinião publica e da mídia, discutiam políticas públicas e criticavam políticos e jornalistas compartilhando memes e insultos de teor sexual, misógino e homofóbico.

O cantor Ricky Martin, alvo de menções ofensivas, afirmou que essas declarações “são completamente repudiáveis e denotam o caráter e personalidade intolerantes, arrogantes, prepotentes, homofóbicas, machistas e violentas de cada um” dos participantes do chat. “Esse não é o Porto Rico que nossos pais e avós construíram e muito menos aquele que nós desejamos a nossos filhos”, disse em uma série de tuítes.

Rosselló tentou amenizar o ocorrido no sábado anunciando o afastamento do Secretário da Economia e do secretário de Estado, mas não foi o suficiente para acalmar o furor que tomou conta da ilha. Nas horas seguintes, manifestantes se juntaram em frente a residencia do governador e pediram para que ele renunciasse.

Em um comunicado, negou que irá renunciar e pediu desculpas. “O chat era usado para liberar as tensões de dias de 18 horas de trabalho (…) mas nada disso justifica as palavras que escrevi”, disse. Na manhã de domingo, Rosselló foi a um culto em uma igreja evangélica e declarou, segundo o jornal El Nuevo Dia, que havia buscado por perdão pelo que havia dito.

Na tarde de segunda-feira, um legislador porto-riquenho apresentou uma proposta de lei para ser aberto um processo de impeachment contra o governador, mas a casa, de maioria governista, recusou a legislação e declarou que dará tempo para que Rossellé decida seu próprio futuro.

(Com AFP)