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Após terremotos, Delcy pede que rei Charles libere ouro venezuelano retido na Inglaterra

Avaliadas em quase R$ 10 bilhões, reservas permanecem bloqueadas desde que a Justiça britânica negou ao então governo Maduro o controle sobre os ativos

Por Sara Salbert Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 jul 2026, 14h18 | Atualizado em 10 jul 2026, 14h36
Após terremotos, Delcy pede que rei Charles libere ouro venezuelano retido na Inglaterra Priorizar nos meus resultados Google

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, na quarta-feira 8, solicitou que o rei Charles III libere as reservas de ouro venezuelanas mantidas no Banco da Inglaterra para financiar a assistência às vítimas dos terremotos que devastavam o país em 24 de junho, deixando pelo menos 3.811 mortos.

Segundo Rodríguez, o ouro, avaliado em cerca de US$ 1,9 bilhão (R$ 9,78 bilhões), pertence ao povo venezuelano e deveria ser utilizado para enfrentar as consequências da tragédia.

“Decidi enviar uma carta ao rei da Inglaterra para que liberem o ouro que está retido no Banco da Inglaterra. Esse ouro é do nosso povo. É para lidar com as consequências do sismo”, declarou a presidente inteira.

Os lingotes de ouro permanecem bloqueados desde que a Justiça britânica negou ao então governo de Nicolás Maduro o controle sobre os ativos depositados na instituição inglesa. Rodríguez assumiu a presidência interina após a captura de Maduro em 3 de janeiro, durante uma operação militar dos Estados Unidos em Caracas.

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Rodríguez informou ainda que conversou com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, para reforçar o pedido de acesso a recursos do organismo. A Venezuela possui 3,57 bilhões em direitos especiais de saque (DES) no FMI, o equivalente a cerca de US$ 5,1 bilhões (R$ 26,24 bilhões), mas esses recursos seguem indisponíveis em razão do não reconhecimento internacional do governo Maduro.

O Ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, também defendeu a liberação dos recursos do país congelados no exterior.

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Tragédia

Os tremores, de magnitudes 7,2 e 7,5, ocorreram com intervalo de apenas 39 segundos e provocaram o desabamento de edifícios em Caracas e, principalmente, no estado costeiro de La Guaira, a região mais afetada pelo desastre. Um total de 3.811 pessoas morreram e outras 16.740 ficaram feridas em decorrência dos terremotos, segundo o último balanço oficial divulgado pelo governo venezuelano.

Na quarta-feira, as Nações Unidas fizeram um apelo para arrecadar US$ 296 milhões (cerca de R$ 1,5 trilhão, na cotação atual) que serão destinados às operações de ajuda humanitária após os terremotos.

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“Temos um plano claro. São necessários US$ 296 milhões para atender às necessidades socioeconômicas de 1,3 milhão de pessoas neste momento, ao longo de um período de seis meses. É um plano com prazos concretos”, afirmou o chefe de Assuntos Humanitários e coordenador de Ajuda de Emergência das Nações Unidas, Tom Fletcher.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) alertou que as crianças estão entre as mais afetadas pelo desastre, estimando que 234 mil delas precisarão de assistência humanitária.

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As autoridades venezuelanas ainda não divulgaram um número oficial de desaparecidos. Uma plataforma criada por organizações da sociedade civil estima que cerca de 30 mil pessoas continuam sumidas, enquanto as Nações Unidas trabalham com uma estimativa de até 50 mil.

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