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Após Tahrir, egípcios protestam em frente ao palácio presidencial

Centenas de Egípcios se reuniram em frente ao palácio presidencial para apresentar pessoalmente suas queixas ao novo presidente, o islamita Mohamed Mursi.

Mursi, da Irmandade Muçulmana, tomou posse oficialmente no sábado, antes mesmo de ver o poder Executivo ser devolvido pelo Conselho Supremo das Forças Armadas (CSFA), a quem Mubarak havia passado as rédeas do país quando renunciou em fevereiro de 2011.

Primeiro civil a governar o país mais populoso do mundo árabe, com mais de 80 milhões de habitantes, Mursi declarou, logo após a sua eleição, que é o presidente de “todos os egípcios” e apresentou uma imagem de presidente próximo ao povo, declarando que seu palácio, localizado no bairro de Heliópolis, estaria sempre aberto.

Se os descontentes se reuniram nos últimos meses na Praça Tharir, onde a revolução teve início em 2011, agora se aproximam da Presidência para manifestar seus anseios.

Altos funcionários do governo Mursi disseram que foi autorizada a entrada dos manifestantes no palácio para que apresentassem suas queixas pessoalmente, uma medida sem precedentes. Sob o reinado de Mubarak, a burocracia e rigorosas medidas de segurança impediam qualquer egípcio de se aproximar da Presidência.

Trabalhadores de empresas de cimento e do setor têxtil, que exigem contratos permanentes e melhorias nas condições de trabalho, cantavam e exibiam cartazes nesta terça-feira. Outros ativistas organizaram uma coletiva de imprensa para exigir a libertação de presos políticos.

Várias mulheres tentaram entrar no palácio por uma pequena porta, mas foram impedidas pela segurança.

Estas cenas eram inimagináveis na era Mubarak, que reinou soberano por 30 anos. O sentimento foi resumido pelo jornal governamental al-Ahram que escreveu em sua manchete: “As pessoas agora sabem o caminho para o palácio”.