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Após quatro anos de adiamentos, haitianos elegem novo Congresso

Os eleitores, que configuram pouco mais da metade da população do país, irão às urnas para votar em novos deputados e renovar dois terços do Senado

Depois de quase quatro anos de adiamentos e oito meses após a dissolução do Parlamento nacional, as eleições legislativas do Haiti começaram neste domingo (09).

Os colégios eleitorais deveriam abrir às 6 horas (7 horas de Brasília), mas na capital Porto Príncipe e em algumas cidades do interior muitos eleitores tiveram de esperar por mais de uma hora até que as cédulas de votação chegassem e as urnas estivessem instaladas.

Na capital, cidadãos se queixaram de não poder votar por não estarem relacionados nas listas oficiais, apesar de terem se registrado com antecedência. Houve distúrbios em que jovens rasgaram cédulas e lançaram pedras, obrigando a polícia a fechar alguns centros de votação.

O temor de episódios de violência fez com que a polícia nacional mobilizasse mais de 7.000 agentes em todo o país e acionasse a Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah), que se colocou pronta para ajudar, se necessário.

“Constatamos atrasos, causados ​​principalmente pela chegada tardia dos mesários”, explicou Richardson Dumel, porta-voz do Conselho Eleitoral Provisório (CEP). “Mas esperamos recuperar esse tempo ao longo do dia”.

Esta é a primeira eleição no país desde 2011, devido à profunda crise entre o presidente Michel Martelly e a oposição. Agora, os 5,8 milhões de eleitores — de uma população de 10,3 milhões de pessoas — são convidados a escolher os novos deputados que irão renovar dois terços do Senado.

Apesar do avanço democrático significativo, o país ainda tem grandes desafios pela frente, evidenciados pelo o grande número de candidatos (um total de 1.855), somado à onda de violência que marcou a campanha política e ao baixo comparecimento dos eleitores.

O país mais pobre das Américas tem uma história de instabilidade crônica e ainda luta para se recuperar do devastador terremoto de 2010. O desastre matou mais de 250.000 pessoas e destruiu grande parte da infraestrutura do Haiti.

Com AFP