Após protestos, Espanha anuncia medidas para combater crise habitacional
Manifestações ganharam força após caso de senhora de 87 anos despejada da casa onde vivia há sete décadas
O governo da Espanha anunciou, nesta terça-feira, 29, a paralisação de despejos até 2030 e a renovação automática de contratos de aluguel, em um esforço para conter a crise habitacional que desencadeou uma onda de protestos em partes do país.
As duas medidas, anunciadas pela ministra da Saúde, Mónica García, após complexas negociações dentro da coalizão governista, serão incluídas em dois projetos de lei separados que serão votados no Parlamento, onde o governo liderado pelo primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez não possui maioria.
O Congresso realizará uma sessão plenária extraordinária na sexta-feira para debater as medidas, segundo a imprensa espanhola.
Entre essas medidas, o governo também pretende implementar uma “proibição à compra de imóveis por fundos abutres”, segundo a ministra. Esses fundos de investimento, juntamente com plataformas de aluguel de curta duração para turistas, como o Airbnb, são alvos de protestos, que citam inflação de preços e redução de oferta.
Desde sábado, 26, centenas de manifestantes e ativistas ocupam a Puerta del Sol, um popular ponto turístico no coração de Madri, para denunciar a crise habitacional e exigir maior proteção aos inquilinos.
O protesto ganhou força após uma madrilenha de 87 anos ter sido despejada na semana passada da casa onde morava há 70 anos. A mulher foi obrigada a deixar o imóvel depois que a empresa proprietária aumentou o aluguel mensal em 275%, para 2. 650 euros (R$ 15,7 mil), segundo o Sindicato de Inquilinos de Madri. A imagem dela sendo retirada do apartamento em uma maca causou indignação na Espanha, a menos de um ano das eleições gerais de 2027.
Os manifestantes já haviam conquistado uma primeira vitória na noite de segunda-feira, quando um acordo foi firmado com a imobiliária que comprou o apartamento de Maricarmen Abascal, permitindo que ela retornasse para casa. A octogenária, que esteve hospitalizada nos últimos dias, ainda não assinou o acordo.
Em outras cidades do país, como Málaga, Sevilha e Barcelona, pequenos acampamentos também surgiram desde sábado. Enquanto isso, em Madri, as autoridades regionais deram à Delegação do Governo um prazo máximo de 48 horas para desmantelar o acampamento “ilegal” em Puerta del Sol.
Em dez anos, o preço médio do metro quadrado para aluguel na Espanha dobrou e chegou a 15,1 euros (R$ 89,47), ou 17,2 dólares (R$ 89,67), em agosto, segundo o portal imobiliário Idealista. Para compra, o preço médio agora é de 2. 355 euros (R$ 13. 954) por metro quadrado, ou 2. 682 dólares (R$ 13. 982), alta de mais de 50% no mesmo período, segundo dados oficiais.
(Com AFP)





