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Após promessa de anistia, repressão na Síria mata 23

Ativistas convocaram sírios a se manisfestarem 'contra os déspotas e tiranos'

As forças de segurança sírias mataram 23 pessoas nesta sexta-feira em vários pontos do país, onde são mantidas as manifestações “contra os déspotas e tiranos”, convocadas por ativistas pró-democracia que duvidam que o regime sírio tenha a intenção de aplicar o plano árabe para pôr fim à crise. Pouco antes, o governo sírio prometeu uma anistia para quem entregar as armas antes de 12 de novembro.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março para protestar contra o regime de Bashar Assad, no poder há 11 anos.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança do ditador, que já mataram mais de 2.700 pessoas no país, de acordo com a ONU, que vai investigar denúncias de crimes contra a humanidade no país.
  3. • Tentando escapar dos confrontos, milhares de sírios cruzaram a fronteira e foram buscar refúgio na vizinha Turquia.

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O plano da Liga Árabe prevê o fim da violência, a libertação das pessoas detidas durante a repressão, a retirada do Exército das ruas e a livre circulação dos observadores e da imprensa internacional, antes do início de um diálogo entre o regime e a oposição. Contudo, apesar de o presidente Bashar Assad ter decidido na quarta-feira aceitar “sem reservas” essa iniciativa, a repressão, que já causou, segundo a ONU, a morte de cerca de 3.000 pessoas desde meados de março, não dá sinais de arrefecimento.

Nove civis morreram nesta sexta-feira em Homs (centro), um dos bastiões da revolta, quatro em Hama, mais ao norte, e oito na província de Damasco, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). A maior parte das vítimas foi morta a tiros. As forças de segurança também mataram um civil e um soldado desertor na região de Tal Shihab, na fronteira com a Jordânia, quando tentavam deixar o país, acrescentou a fonte.

Nas cidades litorâneas de Banias e de Latakia, as forças de segurança cercaram várias mesquitas para impedir as concentrações de fiéis típicas do final da grande oração das sexta-feiras. Além disso, houve dezenas de detenções em Banias, incluindo quatro menores de idade membros da família do presidente do OSDH, Rami Abdel Rahman, que vive na Grã-Bretanha.

Ativistas – Apesar da repressão, os ativistas se mantêm firmes. Como a cada sexta-feira desde meados de março, os sírios foram convocados a se manifestar, desta vez sob o lema “Alá é grande, contra os déspotas e os tiranos”. Um vídeo divulgado no YouTube mostrou dezenas de manifestantes, alguns deles encapuzados, protestando em um bairro de Damasco contra Assad. Também houve manifestações nos arredores da capital e em outras cidades, de norte a sul.

“Quanto mais o regime reprimir e matar, mais determinados ficaremos. O regime caiu no primeiro dia em que pedimos liberdade, e quando a primeira gota de sangue foi derramada pelas balas disparadas pelos tiranos”, indica a página do Facebook Syrian Revolution 2011, que organiza os protestos.

Os Estados Unidos advertiram na quinta-feira que a Síria se isolará ainda mais se não aplicar o plano árabe. Já no Líbano, o primeiro-ministro Nayib Mikati, cujo governo é dominado pelo Hezbollah, um aliado de Damasco, reconheceu “casos isolados” de sequestros de opositores sírios no país.

(Com agência France-Presse)